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ONG aponta ligação do Banco Mundial com violações ambientais da cadeia da soja na Amazônia

Grão sai do Mato Grosso e corta a Floresta Amazônica pela BR-163, grande vetor de desmatamento da região

Crédito: Daniel Beltrá / Greenpeace

2 mar 21

ONG aponta ligação do Banco Mundial com violações ambientais da cadeia da soja na Amazônia

Segundo o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), uma companhia de logística da rota internacional da soja que corta a Amazônia, financiada pelo Banco Mundial, tem descumprido medidas que deveriam ser adotadas para aliviar os impactos socioambientais de sua atuação sob a floresta e as comunidades locais. 

A informação está no dossiê “Enquanto a soja passa: impactos da empresa Hidrovias do Brasil em Itaituba”.  A companhia, baseada no distrito de Miritituba, no município de Itaituba, no Pará,  tem entre seus acionistas o banco multilateral de desenvolvimento Corporação Financeira Internacional (IFC), braço privado do Banco Mundial.

O documento apresenta uma tabela com as demandas acordadas que não estão sendo contempladas pela Hidrovias do Brasil, como o desenvolvimento e implementação de estratégias para reduzir as emissões atmosféricas e a elaboração de um programa de gestão de resíduos sólidos. Ao contrário, a empresa “espalhou ‘pó da soja’, que contém resíduos de agrotóxicos, cereais, solo e vegetais, carregados pelo vento para além do pátio da empresa”, diz o texto, e causou danos ao igarapé da região, comprometendo a atividade pesqueira. 

Com aumento de casos de Covid-19, Acre vive crise sanitária agravada por enchentes

Excesso de chuvas causaram o transbordamento de rios no estado

Crédito: SECOM

22 fev 21

Com aumento de casos de Covid-19, Acre vive crise sanitária agravada por enchentes

Com UTIs lotadas frente ao aumento de casos de Covid-19 na região amazônica, o Acre vive uma crise humanitária agravada pelas enchentes causadas pelo excesso de chuvas na região da bacia do estado nos últimos dias. O estado conta com milhares de pessoas desalojadas pelo transbordamentos de ao menos cinco rios e sofre para enfrentar o aumento de casos de Covid-19, o combate à dengue e uma crise migratória, com a busca de venezuelanos por refúgio.

“Esse é um exemplo de como situações não climáticas podem ser agravadas por eventos climáticos extremos”, afirmou o pesquisador José Marengo em matéria do Observatório do Clima. 

Garimpo ilegal polui cachoeiras na Terra Indígena Raposa Serra do Sol

Imagem de água turva com rejeitos da mineração, atribuída à cachoeira Sete Quedas

Crédito: @karibuxi/ Reprodução/Twitter

9 fev 21

Garimpo ilegal polui cachoeiras na Terra Indígena Raposa Serra do Sol

Indígenas da TI Raposa Serra do Sol seguem em luta em defesa de sua terra. Após uma década da retirada de arrozeiros da região, o território sofre com o avanço do garimpo ilegal. Conforme apurou a Folha de S. Paulo, registros do final de janeiro mostram o estado crítico das cachoeiras Sete Quedas e Urucá, próximas ao município de Uiramutã, poluídas por rejeitos da atividade mineradora.  

A TI está próxima do 6º Pelotão de Fronteira do Exército e, apesar da Operação Verde Brasil 2, que incumbiu aos militares o combate aos crimes ambientais, os infratores seguem impunes. “Já denunciamos, chamamos para assembleia, fizemos documento, mapa, entregamos fotografia, mas até agora nada”, declarou ao jornal o vice-coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Edinho Batista de Souza.  

Como agravante, a liderança cita o incentivo declarado do presidente Jair Bolsonaro à mineração em terras indígenas – à exemplo do PL 191/2020, que aguarda votação na Câmara –  e o projeto de lei 201/2020, do governo de Roraima, que libera a atividade garimpeira no estado “sem estudo prévio”.

Ibama cede à pressão e Belo Monte volta a liberar vazão mínima para Rio Xingu

Ordem de aumento da vazão visava mitigar impactos ambientais

Crédito: Governo Federal/PAC/via O eco

8 fev 21

Ibama cede à pressão e Belo Monte volta a liberar vazão mínima para Rio Xingu

Após um jogo de forças entre acionistas da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Ibama, a Norte Energia, concessionária responsável pelo empreendimento, poderá voltar a liberar um menor volume de água de seu reservatório para o trecho conhecido como Volta Grande do Xingu, no Pará, segundo O Estado de S. Paulo. Pressionado, o órgão regulador não manteve a decisão, em vigor até 10 de fevereiro, que obrigou a hidrelétrica a aumentar provisoriamente a quantidade de água destinada ao Rio Xingu, visando mitigar os impactos ambientais e sobre as populações ribeirinhas causadas pela usina na região. 

A diferença entre a nova vazão acordada e a antes exigida pelo Ibama é grande: em março, a usina fará 4 mil metros cúbicos por segundo; a autarquia pedia 14.200 m³/s. O motivo é a já notória informação de que “não há condições de manter a vida no rio”, como diz a matéria, com a adoção do hidrograma defendido pela Norte Energia.  

Um Termo de Compromisso Ambiental foi firmado com a Norte Energia, no qual a empresa se compromete a implementar 15 novas medidas de compensação ambiental, fiscalização e apoio à população local – um investimento de R$ 157,5, ao longo de três anos. O texto também exige que a concessionária apresente, até 31 de dezembro de 2021, estudos complementares sobre a vazão e a qualidade ambiental do rio.

Após a notícia, o Ministério Público Federal do Pará solicitou ao Ibama dados técnicos que embasem o que chamou de “mudança repentina” sobre a vazão da usina. Segundo nota do MPF, o órgão quer respostas sobre “a escolha técnica pela adoção de medidas de mitigação em vez da adoção de medidas de prevenção dos impactos, tal como aquelas já adotadas pelo Ibama, com a definição de vazão média mais elevadas para o Trecho de Vazão Reduzida”.

Governo Bolsonaro libera uso de mais 56 agrotóxicos; são 935 em dois anos

Administração federal já liberou 32% dos agrotóxicos disponíveis no Brasil


Crédito: Vinícius Mendonça/Ibama/via CC BY-SA 2.0

11 jan 21

Governo Bolsonaro libera uso de mais 56 agrotóxicos; são 935 em dois anos

O Ministério da Agricultura publicou no Diário Oficial da União a liberação de 56 novos agrotóxicos  – 51 genéricos e 5 inéditos –, referentes aos últimos registros autorizados em 2020, segundo levantamento feito pelo G1. Desses, a maior parte, 37, são pesticidas químicos e apenas 19 biológicos, que podem ser usados em lavouras comerciais e na produção de alimentos orgânicos, por exemplo.

Desde o início do mandato, o governo Bolsonaro tem batido recordes do número de agrotóxicos liberados. Em 2020 foram 461 novos registros, apenas um pouco atrás da marca histórica de 474, atingida em 2019, segundo a reportagem.

Desmatamento da Amazônia esvazia reservatório de água de SP

Estiagem é causada por destruição sistemática da Amazônia, aponta especialista

Crédito: Lucas Landau/Greenpeace

4 jan 21

Desmatamento da Amazônia esvazia reservatório de água de SP

Desde outubro de 2020, o Sistema Cantareira, um dos maiores reservatórios de água do país e principal responsável pelo abastecimento da região metropolitana do estado de São Paulo, está com um índice de armazenamento em 35,6%, o menor volume já registrado desde dezembro de 2013, período que antecedeu um dos pontos altos da crônica crise hídrica brasileira. Segundo cientistas, a falta de chuvas ao longo do ano, apontada como principal causa do baixo índice, está diretamente ligada ao desmatamento da Amazônia.


Essa relação de causa e efeito já havia sido explicada pelo Inpe no relatório “O futuro climático da Amazônia” (2014). O estudo demonstra que a retirada da vegetação pode causar o declínio dos ventos carregados de umidade que vem do oceano para o continente. O geólogo Pedro Côrtes explicou o fenômeno. “Você tira árvores de raízes longas e troca por capim, de raízes curtas, que não tem a capacidade de drenagem para atingir os aquíferos profundos da região [amazônica]”.  O resultado é a redução da umidade da atmosfera, enquanto os ventos continuam soprando [para o sul], mas cada vez mais secos”.

Côrtes também pontuou que outros reservatórios importantes no país enfrentam o mesmo problema, além de frisar que se trata de uma questão histórica. “Esse modelo de desmatamento na Amazônia está completando 50 anos, começou na década de 70, com a [rodovia] Transamazônica, e já não há mais justificativa para sua manutenção. Há trabalhos científicos do final dos anos 1980 que já alertavam que poderia gerar impactos ambientais, inclusive com redução do volume de chuvas. Hoje, estamos colhendo as consequências”.

Agrotóxico utilizado em soja contamina outros plantios no RS; produtores de vinho movem ação

Contaminação pode acabar com a diversidade produtiva da região

Crédito: Michelle Rodrigues/Seapdr

17 dez 20

Agrotóxico utilizado em soja contamina outros plantios no RS; produtores de vinho movem ação

Agrotóxicos que possuem o 2,4-D (ácido diclorofenoxiacético) em sua composição, utilizados para controle de ervas daninhas em plantações de soja na região de Campanha (RS), têm causado graves prejuízos para produtores rurais de cultivos variados, em especial aos viticultores. 

Em entrevista ao Brasil de Fato, Valter Potter, presidente da Associação Vinhos da Campanha Gaúcha, relatou que os efeitos da contaminação são sentidos há cerca de quatro anos, mas têm se agravado nos últimos três. Em 2020, uma análise laboratorial realizada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em folhas e outros materiais afetados identificou a presença do 2,4-D  em 87% da amostra, o que corresponde à perda de 1 milhão de litros de vinhos, apenas entre os associados da Vinhos da Campanha, estima Potter. O impacto sentido especialmente entre os pequenos e médios produtores. 

Ao ser pulverizado, o herbicida pode se espalhar por até 30 quilômetros, o que dificulta a identificação de sua origem e possíveis pedidos de indenização. Os produtores lesados pedem a suspensão do uso do ácido diclorofenoxiacético no Rio Grande do Sul. Após diversas tentativas de diálogo na esfera administrativa, a Associação de Vinhos Finos da Campanha Gaúcha e a Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi) entraram com uma ação civil pública contra o Estado para prevenir prejuízos financeiros ainda maiores.

Acionistas querem derrubar decisão do Ibama que aumenta vazão de Belo Monte

Medida, motivada por preocupações sociais e ambientais, poderá prejudicar lucros

Crédito: Marcos Corrêa/PR/via Fotos públicas

15 dez 20

Acionistas querem derrubar decisão do Ibama que aumenta vazão de Belo Monte

Acionistas da Usina Hidrelétrica de Belo Monte tentam apoio do governo federal para reverter a decisão do Ibama que obriga a Norte Energia, concessionária responsável pelo empreendimento, a liberar um maior volume de água de seu reservatório para o trecho conhecido como Volta Grande do Xingu, no Pará. Válida, por ora, até o final de 2020, a decisão  visa mitigar os impactos ambientais e sobre as populações ribeirinhas causadas pela hidrelétrica na região, assolada por uma seca histórica esse ano. Segundo a agência Reuters, os sócios – que temem que a medida seja estendida para 2021 – já se reuniram com o Ministério de Minas e Energia e há uma expectativa de que o governo contribua nas negociações dada a participação da estatal Eletrobrás no projeto.

Enquanto os empresários alegam que a decisão pode comprometer gravemente a geração de energia da hidrelétrica, a Norte Energia teve seu pedido de revogação do novo hidrograma negado pela Justiça Federal, sob a justificativa de que o Ibama, responsável pelo licenciamento ambiental de Belo Monte, apontou “piora nas condições ambientais da área” em função da vazão reduzida, o que “leva à possibilidade de alteração das condicionantes constantes da licença de operação”.

O aumento definitivo do fluxo de água liberado pela hidrelétrica ainda está em aberto. A Reuters informou, em reportagem que dá sequência ao caso, que o Ibama irá concluir a análise de estudos complementares sobre os impactos de Belo Monte entregues pela Norte Energia.

Governo Bolsonaro já liberou 910 novos agrotóxicos desde o início do mandato

Cifra representa 30% do total de agrotóxicos comercializados no Brasil

Crédito: Vinícius Mendonça/Ibama/via CC BY-SA 2.0

30 nov 20

Governo Bolsonaro já liberou 910 novos agrotóxicos desde o início do mandato

Do início do mandato até 30 de novembro de 2020, o governo de Jair Bolsonaro publicou no Diário Oficial da União (DOU) a aprovação de 910 novos agrotóxicos no país. A informação é do Robotox, projeto da Agência Pública e da Repórter Brasil, que monitora o registro de novos químicos publicados no DOU, com atualizações periódicas via Twitter.

Considerando que já estão no mercado, o número corresponde a aproximadamente 30% do total de agrotóxicos comercializados no Brasil até 30 de novembro –  2976, de acordo com a ferramenta.

Comunidades quilombolas sofrem com apagão no Amapá

População sofre com falta de água, comida e acesso ao sistema de saúde

Crédito: Conaq/Divulgação

19 nov 20

Comunidades quilombolas sofrem com apagão no Amapá

Desde o início do mês, o estado do Amapá vive um apagão do fornecimento de energia elétrica que atinge 13 dos 16 municípios do estado, agravando a situação de vulnerabilidade das 258 comunidades quilombolas identificadas no estado, segundo número estimado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). “Se já está ruim na cidade, pior está na comunidade. Tem gente passando fome, tem gente que está doente, tem gente que não consegue tomar água (potável) são várias situações adversas“, relatou a Coordenadora Nacional da Conaq, Núbia Cristina, ao site da organização. 

Afastados dos centros urbanos, os quilombolas têm sofrido  com o corte de fornecimento hídrico – sem energia, não há bombeamento de água – e a consequente contaminação pelo consumo de água não-potável, retirada de poços artesianos e rios, conforme relato de moradores para o Jornal de Brasília. O armazenamento de comida também foi comprometido, estragando carnes e outros itens, e o apagão tem dificultado a compra de alimentos com os comerciantes locais, com os preços cada vez mais altos.

O apagão também tem agravado a pandemia da Covid-19 entre a população quilombola. Sem acesso às ambulâncias, que não chegam aos territórios quilombolas, a comunidade tem se mobilizado por conta própria para o transporte de contaminados aos centros de saúde, sem qualquer tipo de proteção.

A situação crítica vivida nas comunidades também vitimou uma importante liderança local, presidente da Associação dos Quilombos de São Francisco de Matapí. Sérgio Clei de Almeida, de 50 anos, morreu eletrocutado, dia 18 de novembro, ao tentar restabelecer o fornecimento de energia elétrica para a comunidade de Torrão do Matapí.

Após cinco anos, Justiça Federal reconhece impacto de Belo Monte nas comunidades indígenas do Xingu

Para MPF, houve falta de rigor no licenciamento da usina

Crédito: Marcos Corrêa/PR/via Fotos Públicas

16 nov 20

Após cinco anos, Justiça Federal reconhece impacto de Belo Monte nas comunidades indígenas do Xingu

Em decisão provisória que atende parcialmente a pedidos do Ministério Público Federal (MPF) feitos em ação judicial iniciada em 2015, a respeito da “ação etnocida” da companhia Norte Energia na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a Justiça Federal em Altamira (PA) reconheceu que o empreendimento provocou alterações significativas “nos traços culturais, modo de vida e uso das terras pelos povos indígenas, causando relevante instabilidade nas relações intra e interétnicas”, diz nota do MPF. 

A decisão, anunciada em 13 de novembro, ordena mudanças na execução do Plano Básico Ambiental Indígena de Belo Monte, além de determinar “que a União e a Fundação Nacional do Índio (Funai) apresentem no prazo de 90 dias um cronograma para conclusão dos processos de regularização fundiária das terras indígenas Paquiçamba, do povo Juruna Yudjá, e Cachoeira Seca, do povo Arara” diz nota publicada no site do MPF. Outra medida será a criação de uma Comissão Externa de Acompanhamento e Avaliação, composta pelo MPF, representantes da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e de organizações não indígenas da sociedade civil que atuem na região do médio Xingu.

Desde outubro, Altamira tem enfrentado uma seca histórica no trecho conhecido como Volta Grande do Xingu, que faz parte do reservatório da hidrelétrica de Belo Monte. Recentemente, voluntários se mobilizaram para resgatar os peixes afetados pelo baixo volume das águas, atolados nas poças e na lama presente nos leitos dos igarapés do rio.

Após Belo Monte, seca histórica no Xingu atinge Altamira (PA)

Baixa no rio Xingu pode ter sido causada pela usina de Belo Monte

Crédito: JL1 – TV Liberal/Reprodução

27 out 20

Após Belo Monte, seca histórica no Xingu atinge Altamira (PA)

O trecho do rio Xingu na cidade de Altamira (PA), que faz parte do reservatório principal da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, vive “uma das maiores secas das últimas cinco décadas”, segundo o portal local A Voz do Xingu. Na região, conhecida como Volta Grande do Xingu, moradores enfrentam dificuldades na pesca e locomoção em função da redução do do volume de água e dos bancos de areia que se formaram no leito do rio. “Acabou os peixes, não tem como pescar, secou muito depois da construção dessa usina aí, de Belo Monte”, disse o pescador Manoel da Silva. A matéria também afirma que mesmo os que seguiram para a lavoura como alternativa à pesca não estão conseguindo escoar a produção, pois se encontram praticamente isolados. Uma reportagem da TV Liberal, afiliada da Globo no Pará, mostrou a orla da cidade com embarcações encalhadas e o encontro do igarapé Altamira com o rio Xingu, no qual a navegação está inviável pela falta de água.

Dia do Cerrado: nada a comemorar

Na Chapada dos Guimarães, fogo já consumiu 2 mil hectares de mata nativa em 2020.

Crédito: Michelle7623/iStock

11 set 20

Dia do Cerrado: nada a comemorar

No dia 11 de setembro é comemorado o Dia Nacional do Cerrado. Segundo maior bioma brasileiro, o Cerrado ocupa 22% do território brasileiro e tem importância estratégica para o abastecimento de água e preservação da biodiversidade. Estima-se que o bioma abrigue cerca de 10 mil espécies vegetais, 800 de aves e outras 160 de mamíferos, concentrando 5% da diversidade de espécies do planeta. O Cerrado é conhecido como o “Berço das Águas” por ser atravessado por três importantes bacias hidrográficas sul-americanas – a do Tocantins – Araguaia, São Francisco e Prata. 

 

O Cerrado também é um dos biomas mais ameaçados do mundo, pressionado pela agricultura e pecuária, além da exploração madeireira para produção de carvão vegetal. Entre 2018 e 2019, o desmatamento avançou sobre 6.483 km2 do bioma, ou quatro vezes a área da cidade de São Paulo. De janeiro a agosto de 2020, o estado do Mato Grosso perdeu 1,7 milhão de hectares para queimadas e incêndios florestais; 31% em áreas de cerrado. Na Chapada dos Guimarães, o fogo já consumiu 2 mil hectares de mata nativa. 

 

Essa dinâmica de destruição foi mostrada em reportagem do Jornal Nacional veiculada no dia 17 de setembro que cobriu uma operação de fiscalização do Ibama na região de cerrado do Matopiba, no Tocantins, flagrando o uso de “correntões” e queimadas para limpar os terrenos. Os fiscais do Ibama percorreram mais de 7 mil km no Parque Nacional das Nascentes do Parnaíba e no Parque Estadual do Jalapão, constatando cerca de 20 mil hectares de desmatamento ilegal. Parte da destruição ocorreu dentro de propriedades rurais privadas, em áreas destinadas à Reserva Legal – que deveriam permanecer intactas de acordo com o Código Florestal. O MPF está averiguando as denúncias apresentadas pelo Ibama. Segundo especialistas ouvidos na reportagem, esse tipo de desmatamento afeta a disponibilidade de água na região; alguns municípios do Matopiba já enfrentam problemas no abastecimento da população.  

Ministro Salles anula despacho que anistia desmatadores da Mata Atlântica

Decisão veio após pressão do MPF e ambientalistas

Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado/CC BY 2.0

4 jun 20

Ministro Salles anula despacho que anistia desmatadores da Mata Atlântica

O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles anulou seu próprio despacho  4.410/2020, de 6 de abril, que reconhecia como áreas consolidadas as Áreas de Preservação Permanente (APPs) desmatadas da Mata Atlântica, permitido o retorno da produção nesses locais. O ministro voltou atrás após forte pressão da justiça e da sociedade civil. Em 5 de maio, o Ministério Público Federal apresentou à Justiça do Distrito Federal um pedido de anulação do despacho em função de sua ilegalidade, já que a proposta de Salles negava a vigência da Lei da Mata Atlântica e colocava em risco o bioma, considerado por ambientalistas o mais ameaçado do Brasil.

MPF pede anulação de despacho que anistia desmatadores da Mata Atlântica

Despacho de Salles fere Lei da Mata Atlântica

Crédito: Welington Pedro de Oliveira/Fotos Públicas

6 maio 20

MPF pede anulação de despacho que anistia desmatadores da Mata Atlântica

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça do Distrito Federal a anulação do despacho 4.410/2020, emitido pelo ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles em 6 de abril de 2020, que reconhece como áreas consolidadas as Áreas de Preservação Permanente (APPs) desmatadas da Mata Atlântica até 2008, permitido o retorno da produção nesses locais. O despacho usa o Código Florestal, uma lei geral, para ferir a Lei da Mata Atlântica, uma lei especial, segundo a qual não existe a possibilidade de consolidação de ocupação das Áreas de Preservação Permanente. Também assinam a ação a Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público do Meio Ambiente (Abrampa) e a ONG SOS Mata Atlântica.

Ministro do Meio Ambiente anistia desmatadores da Mata Atlântica

Ambientalistas apontam insegurança jurídica em medida de Salles

Crédito: Palácio do Planalto/Carolina Antunes/PR/CC BY 2.0

6 abr 20

Ministro do Meio Ambiente anistia desmatadores da Mata Atlântica

O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, assinou o despacho 4.410/2020, implementando um parecer da Advocacia Geral da União (AGU), que reconhece como áreas consolidadas as Áreas de Preservação Permanente (APPs) desmatadas da Mata Atlântica, permitido o retorno da produção nesses locais. A medida atende a uma demanda antiga das entidades ruralistas e dá anistia a proprietários rurais que destruíram áreas importantes do bioma ocupadas até julho de 2008. O despacho usa o Código Florestal, uma lei geral, para ferir a Lei da Mata Atlântica, uma lei especial que não permite a consolidação de ocupação das Áreas de Preservação Permanente. A coalizão Observatório do Clima publicou uma nota técnica na qual sugere que “organizações dedicadas à proteção do bioma questionem [a decisão] na esfera judicial” 

Mario Mantovani, diretor da SOS Mata Atlântica, em entrevista à Folha de S. Paulo, aponta que Salles “traz um problema não só para a floresta, mas para o setor agrícola, que vai ter mais uma pressão dizendo que é o setor que quer destruir a floresta”. O promotor de Justiça do Centro de Apoio da Proteção do Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo do Ministério Público do Paraná, Alexandre Gaio, reforçou que o decreto traz, além de insegurança jurídica, grande risco à segurança hídrica da região, uma vez que os desmatadores não precisarão recuperar, a partir do Programa de Regularização Ambiental, a vegetação de margens de rios, por exemplo.

Seca gera emergência climática no Sul do Brasil

Estiagem no estado do Rio Grande do Sul (RS)

Crédito: Divulgação/Defesa Civil do RS

3 abr 20

Seca gera emergência climática no Sul do Brasil

Desde agosto de 2019, os três estados do Sul do Brasil, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, enfrentam forte período de seca, gerando impactos sociais e econômicos. Em março deste ano, o volume de chuvas no Rio Grande do Sul foi de 28 mm — um quarto da média histórica — e 299 municípios decretaram situação de emergência. Em Santa Catarina, o índice de chuvas ficou 550mm abaixo da média histórica. No Paraná, a vazão das cataratas do Iguaçu, está cinco vezes menor do que o normal. Os impactos nas safras de milho, frutas, arroz e soja têm sido significativos, com perdas de 20% a 35% das colheitas. Eduardo Assad, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), afirma que a seca na região está diretamente ligada ao aquecimento global.

Chuvas e secas em São Paulo (SP) estão mais intensas

Climatologistas dizem que padrão deve se agravar

Crédito: BertonhaFB/iStock

4 mar 20

Chuvas e secas em São Paulo (SP) estão mais intensas

Uma análise feita pelo jornal Folha de S. Paulo mostra que o clima de São Paulo (SP) está 3ºC graus mais quente quando comparado aos anos 1960. Além disso, as chuvas estão mais intensas e os períodos de seca também, de acordo com dados do  Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Até os anos 1980, a cidade passou por um evento com mais de 100 mm de precipitação em um dia. Apenas na década de 2010, foram seis. As secas mais longas, de 12 dias nos anos 1960, foram para 51 dias secos, em 2012. O período seco foi um dos causadores da crise hídrica de 2014, que deixou a cidade praticamente sem água.

Climatologistas apontam que esse deve ser o padrão para os próximos anos e que ele deve se agravar. Segundo os cientistas, as mudanças podem estar relacionadas ao aquecimento global e à mudança climática, assim como a questões relativas à urbanização. A cidade, com mais de 12 milhões de habitantes, também deverá enfrentar os problemas de saúde decorrentes do clima mais extremo, como aumento de mosquitos, problemas respiratórios e cardíacos.

Chuvas torrenciais no Sudeste apontam para efeitos da mudança climática

Inpe fala em “alteração do ciclo hidrológico” brasileiro

Crédito: Ranimiro Lotufo Neto/iStock

13 fev 20

Chuvas torrenciais no Sudeste apontam para efeitos da mudança climática

Desde o início de janeiro, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santos e Minas Gerais foram castigados por chuvas torrenciais. Em 9 de fevereiro, choveu o equivalente a 42% do esperado para o mês. Apenas em Minas Gerais, 100 cidades ficaram em estado de alerta, 59 pessoas morreram e 45 mil foram desalojadas.

Segundo Paulo Nobre, coordenador do Modelo Brasileiro de Sistema Terrestre (BESM), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as chuvas não foram episódicas e apontam para efeitos das mudanças climáticas. “No Brasil, a alteração do ciclo hidrológico está acontecendo agora. Não é uma coisa para 2100”, disse, em entrevista concedida à National Geographic Brasil.

Caso nada seja feito, Nobre acredita que as regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste sofrerão redução de chuvas e estiagens mais longas, o que pode aumentar o número de queimadas. “No Sul e no Sudeste, a tendência dos biomas ali representados é que também ocorram secas mais extremas e duradouras, intercaladas por períodos muito chuvosos”, projeta.

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