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Estudo comprova que Salles conseguiu "passar a boiada" nas regras ambientais

Mudanças enfraquecem proteção ambiental, aponta UFRJ

Crédito: Bruno Kelly/Greenpeace

10 fev 21

Estudo comprova que Salles conseguiu “passar a boiada” nas regras ambientais

Em reunião ministerial de abril de 2020, Ricardo Salles, disse que o governo deveria aproveitar a pandemia para “ir passando a boiada” em questões ambientais. Quase um ano depois, um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aponta que ele conseguiu: dos 57 atos infralegais – que não dependem de aprovação do Congresso responsáveis por enfraquecer regras de preservação ambiental assinados pelo governo Bolsonaro a partir de 2019, 49% foram promulgados após o início da pandemia, com pico em setembro de 2020. Entre as medidas, está o enfraquecimento de órgãos reguladores, a resolução que libera atividade  mineradora em áreas que ainda aguardam autorização final e a reclassificação de pesticidas para categorias menos danosas. Como fonte, foram utilizadas planilhas do Ibama, ICMBio e do Inpe, além de publicações no Diário Oficial da União.

Entre março e agosto de 2020, houve uma redução de 72% em multas ambientais, mesmo com o aumento do desmatamento e das queimadas registrado no período, A queda é atribuída pelos pesquisadores aos cortes no orçamento do Ibama e ICMBio, atualmente sob ameaça de fusão. “A redução de multas ambientais, combinada com anistia para áreas desmatadas ilegalmente na Mata Atlântica, pode fazer com que os proprietários se sintam empoderados para continuar a desmatar”, diz o texto, segundo matéria do jornal Metrópole.

Exonerado por Bolsonaro, ex-diretor do Inpe recebe prêmio internacional de responsabilidade científica

No ano de sua saída, Ricardo Galvão esteve entre os dez cientistas mais importantes do ano pela revista Nature

Crédito: SEESP/via

8 fev 21

Exonerado por Bolsonaro, ex-diretor do Inpe recebe prêmio internacional de responsabilidade científica

Ricardo Galvão, ex-diretor do Inpe, exonerado por Bolsonaro em 2019 após reagir às críticas do presidente a respeito dos dados do instituto que indicavam aumento do desmatamento, venceu o prêmio internacional Responsabilidade e Liberdade Científica 2021 da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).

A láurea “homenageia cientistas que demonstraram liberdade científica e responsabilidade em circunstâncias particularmente desafiadoras, às vezes em risco para sua segurança profissional ou física”, diz o site da instituição. Segundo Jessica Wyndham, diretora do Programa de Responsabilidade Científica, Direitos Humanos e Direito da AAAS, o físico  “agiu para proteger o bem-estar do povo brasileiro e da imensa maravilha natural que é a floresta amazônica, um patrimônio mundial.”

 

Desmatamento da Amazônia esvazia reservatório de água de SP

Estiagem é causada por destruição sistemática da Amazônia, aponta especialista

Crédito: Lucas Landau/Greenpeace

4 jan 21

Desmatamento da Amazônia esvazia reservatório de água de SP

Desde outubro de 2020, o Sistema Cantareira, um dos maiores reservatórios de água do país e principal responsável pelo abastecimento da região metropolitana do estado de São Paulo, está com um índice de armazenamento em 35,6%, o menor volume já registrado desde dezembro de 2013, período que antecedeu um dos pontos altos da crônica crise hídrica brasileira. Segundo cientistas, a falta de chuvas ao longo do ano, apontada como principal causa do baixo índice, está diretamente ligada ao desmatamento da Amazônia.


Essa relação de causa e efeito já havia sido explicada pelo Inpe no relatório “O futuro climático da Amazônia” (2014). O estudo demonstra que a retirada da vegetação pode causar o declínio dos ventos carregados de umidade que vem do oceano para o continente. O geólogo Pedro Côrtes explicou o fenômeno. “Você tira árvores de raízes longas e troca por capim, de raízes curtas, que não tem a capacidade de drenagem para atingir os aquíferos profundos da região [amazônica]”.  O resultado é a redução da umidade da atmosfera, enquanto os ventos continuam soprando [para o sul], mas cada vez mais secos”.

Côrtes também pontuou que outros reservatórios importantes no país enfrentam o mesmo problema, além de frisar que se trata de uma questão histórica. “Esse modelo de desmatamento na Amazônia está completando 50 anos, começou na década de 70, com a [rodovia] Transamazônica, e já não há mais justificativa para sua manutenção. Há trabalhos científicos do final dos anos 1980 que já alertavam que poderia gerar impactos ambientais, inclusive com redução do volume de chuvas. Hoje, estamos colhendo as consequências”.

Aeronáutica compra satélite de R$ 175 milhões para a Amazônia sem licitação e com contrato sigiloso

Especialista vê na decisão manobra para deslegitimar dados do Inpe sobre desmatamento

Créditos: Inpe/Reprodução/via G1

31 dez 20

Aeronáutica compra satélite de R$ 175 milhões para a Amazônia sem licitação e com contrato sigiloso

A Aeronáutica brasileira assinou um contrato de US$ 33,8 milhões – cerca de R$ 175 milhões, considerando o câmbio de 30 de dezembro – com uma empresa finlandesa para a compra de uma satélite, sem licitação, cujo contrato foi classificado como “reservado”, conforme justificativa dada à corporação ao pedido de acesso feito jornalista Rubens Valente, do UOL.

Além das irregularidades envolvidas no processo e da eficácia questionável do dispositivo para o monitoramento da floresta, o cientista Gilberto Câmara, diretor do Inpe entre 2005 a 2012, chama a atenção para a possível motivação política da compra. “É uma conversa mal explicada e que só tem, para mim, uma justificativa: os militares querem dizer que também têm a capacidade de medir o desmatamento para eventualmente desconsiderar o dado do Inpe. Para mim é a mesma história, que já vem de algum tempo. O dado do desmatamento incomoda os militares, que querem ter o controle sobre ele. Esse gasto não se justifica, é um absurdo. No país da covid-19 estamos jogando fora R$ 175 milhões quando o governo não tem nem seringa para dar vacina”, declarou ao UOL.

Como pano de fundo da fala de Câmara estão os constantes ataques de militares e outras figuras do governo, incluindo o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, contra o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em função dos dados fornecidos pela entidade sobre o desmatamento da Amazônia.

ONG aponta ligação de grandes frigoríficos com desmatamento ilegal na Amazônia

Fazenda em São Félix do Xingu (PA), envolvida no “Dia do Fogo”, fornecedora de gado da JBS e Marfrig

Crédito: Christian Braga/Greenpeace

3 dez 20

ONG aponta ligação de grandes frigoríficos com desmatamento ilegal na Amazônia

Um novo levantamento da Global Witness aponta que três gigantes brasileiras do setor de carne bovina – JBS, Marfrig e Minerva – têm suas cadeias produtivas marcadas pelo desmatamento ilegal na Amazônia. O estudo mostra que, entre 2017 e 2019, no Pará, as empresas compraram gado de 379 fazendas que desmataram ilegalmente uma área de 202 quilômetros quadrados, equivalente a 20 mil campos de futebol. O rastro de destruição é ainda maior ao serem considerados os mais de 4 mil fornecedores dessas fazendas, ou seja, os “fornecedores indiretos”  ligados às cadeias produtivas das empresas, responsáveis por um total estimado de 140.000 campos de futebol desmatados.

O relatório também questiona a veracidade das auditorias realizadas pelas empresas internacionais DNV-GL e Grant Thornton, que alegaram, “por diversas vezes”, que JBS, Marfrig e Minerva estavam cumprindo com seus compromissos socioambientais. Ainda, grandes bancos internacionais, como Santander, Deutsche Bank e HSBC, são citados no documento como cúmplices do desmatamento, uma vez que seguem financiando as empresas mencionadas, apesar das ilegalidades nas quais estão envolvidas.

Os fazendeiros são cúmplices diretos da destruição da Amazônia, os frigoríficos estão falhando em remover o desmatamento das suas cadeias produtivas do gado que compram desses pecuaristas, os auditores têm restrições para realizar suas auditorias, o que significa que as auditorias não estão detectando os casos que identificamos, os bancos, por sua vez, não estão fazendo perguntas suficientes aos frigoríficos e, ao mesmo tempo, não são obrigados por seus governos a fazerem um controle rigoroso para remover o desmatamento de seus investimentos”, resumiu Chris Moye, pesquisador sênior de Amazônia na Global Witness, em entrevista para a BBC Brasil.

Parlamentares europeus criticam controle de ONGs na Amazônia em carta enviada a Mourão

Mourão diz desconhecer decreto que prevê controle da atuação de ONGs

Crédito: Isac Nóbrega/PR/via CC BY 2.0

27 nov 20

Parlamentares europeus criticam controle de ONGs na Amazônia em carta enviada a Mourão

“Num momento em que a Amazônia está queimando em velocidade recorde, limitar as operações de grupos e organizações ambientais e sociais pode ter consequências devastadoras”, diz a carta a enviada por parlamentares europeus a Hamilton Mourão e ao Conselho Amazônia, do qual o vice-presidente está à frente, conforme matéria da Folha de S. Paulo. A crítica foi motivada pela notícia, dada pelo jornal O Estado de S. Paulo semanas antes, de que o Conselho da Amazônia planeja, por meio de um novo marco regulatório, ter controle total sob a atuação de organizações não-governamentais na Amazônia até 2022.

Entre os signatários está Anna Cavazzini, vice-presidente da delegação do Parlamento Europeu para relações com o Brasil. A crítica dos eurodeputados reforça a preocupação da União Europeia com a devastação da floresta, que pode vir a travar o acordo comercial com o Mercosul, assinado em 2019. 

O documento defende a cooperação entre governo e sociedade civil organizada e reitera os aspectos positivos da atuação das ONGs para a política ambiental brasileira: “As ONGs não estão lá para substituir o governo, mas para complementar suas ações –e, de modo crucial, para ajudar a tornar as políticas públicas mais transparentes e efetivas, por meio da crítica livre”

Porém, a “crítica livre” em relação aos rumos da política ambiental brasileira tem sido alvo constante de ataques pelo governo federal. Em mais uma tentativa de cerceamento, foi revelado pelo UOL que o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles moveu quatro interpelações judiciais, por meio da Advocacia Geral da União (AGU), contra críticos de sua gestão. Foram notificados Márcio Astrini, coordenador do Observatório do Clima, conforme já havia sido informado pelo portal, os jornalistas André Borges (O Estado de S. Paulo) e Cedê Silva (O Antagonista) e o cientista Antonio Donato Nobre, pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No caso de Borges, Sales recuou e pediu o arquivamento da notificação judicial uma semana após o UOL ter repercutido a interpelação contra Astrini. 

Número de alertas de desmatamento na Amazônia Legal atinge novo pico em setembro

Já é o segundo pico de alertas durante o governo Bolsonaro em um mês de setembro.

Credit: Christian Braga/Greenpeace

9 out 20

Número de alertas de desmatamento na Amazônia Legal atinge novo pico em setembro

Segundo dados do Instituto de Estudos Espaciais (Inpe), os dois maiores picos de alertas de desmatamento na Amazônia Legal no mês de setembro ocorreram durante o governo de Jair Bolsonaro: o primeiro, em 2019, com alertas em uma área de 1.454 km², e, agora, em 2020, de 964 km². Os dados são comparativos a 2015, ano em que o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Inpe começou a emitir os alertas. Conforme noticiado pelo El País, até 2018, a média mensal de alertas de do sistema Dete/Inper era de 576 km². A partir de 2019, subiu para 1.189 km². 

Como resposta à alta do desmatamento na região amazônia em 2020, o governo, por meio do Ministério da Defesa, implementou em maio Operação Verde Brasil 2, de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), sob  comando do vice-presidente Hamilton Mourão, “para combater e reprimir delitos ambientais” na Amazônia Legal. Os números do desmatamento continuaram crescendo mesmo com a alocação de um orçamento R$ 418,6 milhões para os seis meses de atuação da Verde Brasil 2, que deve se encerrar em novembro.

Em 5 de outubro, a revista piauí denunciou o uso de orçamento da Operação Verde Brasil 2 para a reforma de quartéis e unidades das Forças Armadas dentro e fora da Amazônia Legal. Um deles foi o 47º Batalhão de Infantaria, que deslocou militares de Coxim (MS) para atuar na operação na cidade de Juara (MT). Segundo a publicação, o orçamento da Verde Brasil 2 “já bancou a reforma dos telhados, a pintura das paredes e troca de revestimentos, pisos, portas e esquadrias” do 47º Batalhão. Só de portas e esquadrias, foram 545 mil reais. Outro exemplo é o  44º Batalhão de Infantaria Motorizado, em Cuiabá (MT), cujas despesas de reformas feitas no quartel passaram de 1,2 milhão de reais.

"Boi Bombeiro"

Para Ministra Tereza Cristina, mais gado evitaria devastação do Pantanal

Crédito: Antonio Araujo/via CC BY-NC 2.0

9 out 20

“Boi Bombeiro”

Frente ao índice recorde de queimadas no Pantanal, a ministra da Agricultura Teresa Cristina afirmou que o problema poderia ser contornado caso houvesse mais atividade pecuária no bioma, além de afirmar que a devastação se deu pela grande quantidade de “matéria orgânica seca” na região. A fala da ministra faz alusão à “tese” do “boi bombeiro”, apresentada pelo líder pecuarista Leopoldo Mário em matéria da Folha de S. Paulo de setembro. O fazendeiro afirmou  que o gado seria o “bombeiro do pantanal” por fazer a limpeza do pasto, e defendeu a permissão de queimadas controladas como medida para diminuir os incêndios na região.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 14% da área do Pantanal foi queimada apenas no mês de setembro, recorde histórico de devastação anual desde o início do trabalho de  monitoramento realizado pelo órgão, em 2002. Além da seca grave que marcou o período, dados do Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional do Mato Grosso (Ciman-MT) apontam que os incêndios registrados no estado foram provocados por ação humana intencional. Segundo análise da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), parceira do Inpe no monitoramento da região atingida pelas queimadas, 26% da área total do Pantanal já foi consumida em 2020, de janeiro a setembro.

Sob pressão de investidores, JBS tenta se desvincular de desmatamento

Fazenda São José, no Pará, fornecedora de gado para JBS, que teve focos de calor no “Dia do Fogo”, em 2019

Crédito: Christian Braga/Greenpeace

23 set 20

Sob pressão de investidores, JBS tenta se desvincular de desmatamento

O aumento recorde nas queimadas e índices de desmatamento está contribuindo para diminuir a atratividade do Brasil para investidores estrangeiros. Segundo o jornal O Globo, nos primeiros oito meses de 2020, mas de US$ 15 bilhões deixaram o país, maior volume desde 1982. Analistas e gestores acreditam que a crise ambiental pode agravar esse quadro. Em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre mudanças climáticas no dia 22, o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, falou sobre a piora da imagem do Brasil no exterior: “O desmatamento e outros crimes ambientais, além de agravarem o problema global, trazem enorme risco para o ecossistema do agronegócio, nosso setor mais bem sucedido, e também para a oferta de energia no nosso país”. 

 

Sentindo a pressão, no dia 23, a JBS, maior produtora de proteína animal do mundo, lançou um plano para “aumentar o cerco sobre a cadeia de fornecedores de bovinos, trazendo para dentro da porteira de monitoramento o elo que faltava para assegurar que a carne que chega ao consumidor não contribui para a derrubada da Amazônia: os fornecedores de seus fornecedores”. A chamada “Plataforma Verde JBS” pretende usar tecnologia blockchain para processar dados de todas as fazendas, sejam de propriedade de fornecedores diretos ou indiretos para verificar conformidade com a legislação socioambiental. A JBS (dona das marcas Friboi e Seara) também anunciou a criação de um fundo com valor inicial de R$ 250 milhões para financiar ações de conservação e desenvolvimento econômico na região. 

 

A “Plataforma Verde” da JBS prevê controle total dos fornecedores diretos e indiretos de bovinos apenas em 2025. Ambientalistas reconheceram a importância do plano mas criticaram o prazo de cinco anos para limpar a cadeia produtiva e questionaram a capacidade da empresa executar tais medidas sem apoio do governo. 

 

O fundos de investimento nórdicos Nordea Asset e KLP, que já baniram a JBS de suas carteiras, também consideram que a proposta apresentada pela empresa tem prazo “dilatado demais para para ser satisfatória”. Com R$ 3,4 trilhões de ativos em carteira, a finlandesa Nordea Asset baniu a JBS do seu portfólio em julho, depois que uma investigação conjunta da imprensa revelou que o frigorífico adquiriu gado criado em área de desmatamento na Amazônia. 

 

Os problemas na cadeia produtiva da JBS foram reafirmados em investigação da ONG Repórter Brasil divulgada na véspera do anúncio da gigante do agro. Parte do fogo que devastou o Pantanal mato-grossense teve origem em fazendas de pecuaristas que vendem gado para os grupos Amaggi e Bom Futuro, que por sua vez fornecem não apenas para a JBS mas também outras multinacionais como Marfrig e Minerva. O levantamento se baseou em estudo da ONG Instituto Centro e Vida, que identificou a origem das queimadas em cinco propriedades do Mato Grosso, analisando focos de incêndio entre 01 de julho e 17 de agosto de 2020.

Grandes fazendas concentram focos de queimadas e desmatamento na Amazônia e no Pantanal

Impacto das queimadas na região do Pantanal em setembro/2020

Crédito: Leandro Cagiano/Greenpeace

23 set 20

Grandes fazendas concentram focos de queimadas e desmatamento na Amazônia e no Pantanal

Um relatório do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam) com base em plataforma da Nasa e divulgado no início de agosto já dava a pista: na Amazônia, 71% das queimadas em imóveis rurais entre janeiro e junho de 2020 ocorreram para manejo agropecuário (ou seja, em áreas previamente desmatadas); 24% foram incêndios florestais em áreas de vegetação nativa, que geralmente são provocados a partir das queimas para manejo. Metade dos focos de calor foi detectada em propriedades rurais de médio e grande porte. 

Números semelhantes aparecem na análise do projeto Cortina de Fumaça, lançado no dia 23 de setembro pela Ambiental Media em parceria com o Pulitzer Center. Segundo a pesquisa, propriedades rurais de médio e grande porte responderam por 72% dos focos de calor ocorridos em 2019 nas quatro principais áreas críticas da fronteira do desmatamento na Amazônia. Altamira (PA), São Félix do Xingu (PA), Porto Velho (RO) e Lábrea (AM) concentraram 17.5% do desmatamento entre agosto de 2018 e julho de 2019 na região. As cidades também encabeçam a lista do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) dos municípios com mais queimadas no último ano. Para obter os resultados, o projeto Cortina de Fumaça cruzou dados oficiais públicos de desmatamento e queimadas do Inpe com a base do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que reúne informações e declarações de propriedade sobre os imóveis rurais. 

No Pantanal, um levantamento das ONGs Repórter Brasil e Instituto Centro e Vida (ICV) mostrou que focos de incêndios iniciados em nove fazendas do bioma destruíram mais de 141 mil hectares de vegetação. Quatro destas fazendas foram identificadas na Operação Matàà, investigação conduzida pela Polícia Federal no Mato Grosso do Sul. As outras cinco grandes propriedades se localizam no Mato Grosso. O levantamento feito pelas ONGs cruzou dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) com imagens de satélite do Inpe e da NASA.

Governo declara guerra ao Inpe por monitorar desmatamento

Vice-presidente volta a atacar monitoramento do Inpe

Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

20 set 20

Governo declara guerra ao Inpe por monitorar desmatamento

O vice-presidente Hamilton Mourão acusou funcionários do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) de fazer oposição ao governo federal. Segundo Mourão, em declaração dada no dia 15 de setembro, dados positivos sobre a redução de queimadas não seriam divulgados pelo instituto, órgão federal responsável por monitorar o desmatamento no país. “Alguém ali de dentro faz oposição ao governo. Eu estou deixando muito claro isso aqui”, disse. Para o militar, dados oficiais mostram que, até o final de agosto, o país registrou 5 mil focos de incêndio a menos que no mesmo período do ano passado. Porém, informações do Inpe para os primeiros 14 dias de setembro contrariam o discurso do vice, mostrando que houve mais queimadas na Amazônia no período (20.485 focos) do que em todo mês de setembro de 2019 (19.925 focos). 

 

Segundo especialistas na área de monitoramento florestal, o sistema implantado pelo Inpe no Brasil é único no mundo, permitindo acompanhamento em tempo real, transparência dos dados e participação da sociedade civil. 

 

Além dos ataques vindos da presidência, em um processo no Tribunal de Contas da União (TCU) o sobre a compra de imagens de satélite, a Polícia Federal, declarou, em ofício, que o Inpe provoca desinformação contra novas iniciativas de monitoramento para não perder a hegemonia da narrativa e do conhecimento do desmatamento no Brasil. A PF ainda acusou o trabalho do Inpe de ser insuficiente e de não atender a segurança pública. No dia 19, a ministra Ana Arraes, do TCU, suspendeu o contrato da PF com a empresa de satélites Planet, alegando que o sistema não agrega vantagens em relação à tecnologia já usada pelo Inpe. O acordo da PF com a Planet custou R$ 49 milhões e foi bancado pelo Ministério da Justiça.

Três dias depois, o Ministério do Clima e Meio Ambiente da Noruega anunciou a assinatura de um contrato internacional com a Kongsberg Satellite Services que, juntamente com as empresas Planet (a mesma da Polícia Federal) e Airbus fornecerá acesso universal e gratuito ao monitoramento por satélite das florestas tropicais no mundo, incluindo o Brasil. Segundo o governo norueguês, a Planet fornecerá mapas de alta resolução e dados atualizados mensalmente, de forma gratuita para visualização e download, conforme informe do portal O Eco

Fumaça de queimadas no Pantanal, Cerrado e Amazônia chega aos céus do Sul e Sudeste

Focos de calor em área monitorada pelo sistema Deter/Inpe, em Novo Progresso (PA), agosto/2020

Crédito: Christian Braga/Greenpeace

20 set 20

Fumaça de queimadas no Pantanal, Cerrado e Amazônia chega aos céus do Sul e Sudeste

No final do inverno na região sub-equatorial do Brasil a fumaça de incêndios florestais no Pantanal, Cerrado e Amazônia chegou às regiões Sul e Sudeste. No dia 14 de setembro, moradores coletaram água escura durante chuvas que atingiram o município de São Francisco de Assis, no interior do Rio Grande do Sul. Especialistas ouvidos pela imprensa afirmaram que o fenômeno pode ser resultado das queimadas que atingem o Pantanal. Também houve ocorrência de chuva escura em Santa Catarina.

 

Em 18 de setembro, imagens de satélite do Inpe mostraram que nuvens de fumaça e fuligem provocadas pelas queimadas no centro-oeste chegaram ao estado de São Paulo.  No mesmo dia, o avião que levava o presidente Jair Bolsonaro e comitiva de autoridades teve que arremeter ao tentar pousar em Sinop (MT) por falta de visibilidade provocada pelas queimadas na região. A administradora do aeroporto afirmou que havia fumaça no momento do pouso. Em discurso a representantes do agronegócio do Mato Grosso logo após o ocorrido, o presidente mais uma vez reclamou das críticas à política ambiental brasileira e insinuou interesses econômicos contra o país. 

No dia 19 de setembro, imagens de satélite divulgadas pelo Inpe mostraram que a fumaça das queimadas na Amazônia, Cerrado e Pantanal se estendeu por mais de 4 mil quilômetros, atingindo pelos menos cinco países vizinhos – Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai.

Governo hostiliza campanhas ambientalistas e ameaça APIB

Justiça de Santarém (PA) acatou pedido do MPF

Crédito: Rogério Assis/ Greenpeace/Defund Bolsonaro/Divulgação

18 set 20

Governo hostiliza campanhas ambientalistas e ameaça APIB

Fake news, desinformação e acusações de crime de lesa-pátria: foi assim que membros do governo Bolsonaro reagiram à campanhas e denúncias da sociedade civil sobre o desmatamento e os incêndios florestais na Amazônia, Cerrado e Pantanal. O tom da reação mais uma vez foi dado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, que em sua live semanal no dia 03 de setembro, quando comparou as ONGs que atuam em defesa da Amazônia a um “câncer”. 

O presidente fazia referência à campanha lançada por ativistas brasileiros no final de agosto com o mote “Defund Bolsonaro” e que gerou revolta entre apoiadores do governo. O vídeo da campanha, em inglês, diz que Bolsonaro permite a destruição da Amazônia com o apoio de grandes empresas e termina com a pergunta “De que lado você está? Da Amazônia ou de Bolsonaro?”. Entidades da sociedade civil como Observatório do Clima e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) ajudaram a divulgar o material. Um movimento para derrubar o perfil da iniciativa no Instagram foi organizado, de acordo com reportagem do Jornal O Globo, que apurou que mensagens com instruções para denunciar a campanha circularam por grupos bolsonaristas no WhatsApp no dia 06 de setembro. 

No dia 09, o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o vice-presidente Hamilton Mourão e o deputado federal Eduardo Bolsonaro compartilharam um “vídeo-resposta” que afirmava que a Amazônia não estava queimando, omitia dados do Inpe e usava imagens do mico-leão-dourado, espécie que vive apenas na Mata Atlântica. O vídeo tinha narração e inglês e foi assinado pela entidade ruralista Associação de Criadores do Pará. Parte das imagens que aparecem no vídeo ruralista era do acervo do Greenpeace e foi usada sem autorização. A ONG solicitou a retirada do vídeo do ar por infringir direitos autorais e a peça acabou sendo retirada do Twitter.

Enquanto membros do governo respondiam com desinformação, o ator Leonardo DiCaprio retuitava o vídeo original da campanha Defund Bolsonaro em seu perfil no twitter, gerando nova onda de reações. O discurso negacionista do governo foi rebatido por ONGs e especialistas com dados do Inpe que apontaram que o número de focos de calor na Amazônia entre 01 de janeiro e 09 de setembro de 2020 é o maior dos últimos dez anos, com crescimento de 6% em relação a 2019. 

No dia 13 de setembro, voltaram a circular nas redes sociais postagens falsas acusando ONGs de serem as responsáveis pelas queimadas na Amazônia. As postagens usavam foto de 2014 de indígenas prendendo madeireiros ilegais como se a imagem fosse atual e os detidos fossem membros de ONGs. Várias agências de checagem de fatos apontaram as postagens como fake news. Esse tipo de acusação já foi usada outras vezes pelo presidente.

Na semana seguinte, foi a vez do general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República atacar a Apib pelo apoio à campanha Defund Bolsonaro. Em um post publicado em seus perfis nas redes sociais, Heleno acusou a Apib de ser a organização por trás do site da campanha, cujos objetivos seriam “publicar fake news contra o Brasil, imputar crimes ambientais ao presidente da República e apoiar boicote mundial contra produtos brasileiros”.  O general ainda afirmou que Sônia Bone Guajajara, coordenadora da Apib, é ligada à Leonardo DiCaprio, “um crítico ferrenho do país” e finalizou dizendo que “o site da Apib se associa a diversos outros que trabalham 24h por dia para manchar nossa imagem no exterior em um crime de lesa-pátria”. 

Em nota, a Apib rechaçou a declaração do general, afirmando que “o maior crime que lesa nossa pátria é a omissão do governo diante da destruição de nossos biomas, das áreas protegidas, das queimadas ilegais, da grilagem, do desmatamento e da invasão de nossas terras e roubo de nossas riquezas. Às vésperas da Assembléia Geral da ONU, o mundo todo está testemunhando esse crime – grande demais para ser ocultado (…).  As acusações, além de levianas e mentirosas, são irresponsáveis pois colocam em risco a segurança pessoal dos citados. A Apib estudará as medidas cabíveis”.

Queimada recorde no Pantanal ameaça indígenas, mata animais e provoca alerta climático

Fogo devastou, até meados de setembro, 23% do Pantanal

Crédito: Rogerio Florentino/Greenpeace

15 set 20

Queimada recorde no Pantanal ameaça indígenas, mata animais e provoca alerta climático

De janeiro a agosto, os incêndios no Pantanal já haviam queimado 18.646 km2, ou 12% da área total do bioma, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Aeroespaciais (INPE). O INPE também detectou 10316 focos de queima do início do ano até o dia 03 de setembro, maior índice para o período desde o início da série histórica em 1998. Até aquela semana, os dados indicavam que no estado de Mato Grosso, 95% da destruição ocorreu em áreas de vegetação nativa, segundo a ONG Instituto Centro e Vida (ICV). Em 15 de setembro, o estado era o campeão nacional de queimadas com quase 2200 focos de calor, acumulando 60% das chamas no país, segundo o INPE. Sozinho, o MT queimava mais naquele momento do que o conjunto dos oito Estados da Amazônia Legal. Desde julho, os incêndios seguiram sem controle e no meio de setembro já tinham consumido 23% do bioma do Pantanal.

 

O Pantanal é um dos ecossistemas com maior biodiversidade do planeta, abrigando cerca de 1200 espécies de animais vertebrados, incluindo espécies ameaçadas e a mais densa população de onças-pintadas do mundo. Até 2020, também era um dos biomas mais preservados do país. No Mato Grosso, as chamas já consumiram mais de 90% da área do principal santuário da Arara-azul, um dos animais símbolo do Pantanal, que deve voltar à lista dos ameaçados de extinção por causa do impacto dos incêndios. As imagens de onças, tamanduás, cobras e pássaros mortos e feridos ganharam as redes sociais e chocaram o Brasil e o mundo. 

 

Uma reportagem do El País mostrou que o avanço do fogo para áreas de reservas indígenas, como o incêndio na Terra Indígena Thereza Cristina, do povo Boe Bororo, levou o governo do estado do Mato Grosso a decretar situação de emergência no dia 14 de setembro. Mais de 100 bororos foram removidos às pressas por conta da péssima qualidade do ar; idosos e grávidas foram levados para a Casa de Saúde Indígena em Rondonópolis (MT). Ao fugir do fogo, os indígenas acabaram expostos à pandemia do coronavírus. Naquele momento, em Rondonópolis, existiam 156 casos confirmados de Covid-19 entre indígenas, além de 13 suspeitos e 31 doentes, de acordo com o Distrito Sanitário Especial Indígena de Cuiabá.

 

Situação semelhante ocorreu no Parque Indígena do Xingu, 900 quilômetros distante de Cuiabá, segunda terra indígena mais afetada por incêndios no Mato Grosso. Dezesseis casas foram queimadas no posto Diauarum, no centro da TI. Cerca de 6 mil indígenas de 16 etnias vivem no parque. No meio de setembro, 116 indígenas estavam em isolamento no Xingu devido ao novo coronavírus; 333 casos já tinham sido confirmados.

 

As mulheres pantaneiras que vivem do agro extrativismo vegetal (como a coleta de frutos e castanhas) também são afetadas desproporcionalmente pelos incêndios. Os grupos de mulheres amparados pelo trabalho de articulação da ONG Ecoa –  Ecologia e Ação, de Campo Grande (MS), perderam áreas de cultivos tradicionais da região, como bocaiúva, laranjinha-de-pacu e acuri, comprometendo sua fonte de subsistência e renda, além do fogo ameaçar diretamente suas moradias. “Aqui no Mato Grosso do Sul, por exemplo, elas são rodeadas pelas monoculturas e agrotóxicos. O trabalho de reflorestamento com espécies nativas que elas fazem foi diretamente afetado pelas queimadas”, disse a ativista Nathália Eberhardt Ziolkowski.

 

Segundo dados da Nasa citados por reportagem da agência de notícias Reuters, as mudanças nas temperaturas dos oceanos são um provável fator criador de condições de seca no Pantanal e na parte sul da Amazônia, onde os incêndios em agosto foram os maiores dos últimos dez anos. 

 

O Pantanal vive em 2020 uma das piores secas de sua história, com chuvas 40% abaixo da média de anos anteriores. Principal rio do bioma, o rio Paraguai está com o pior nível do curso de água dos últimos cinquenta anos, agravando o avanço do fogo. De acordo com as medições do Serviço Geológico do Brasil checadas pelo UOL, o rio Paraguai está registrando uma das 13 vazantes mais fracas dos últimos 120 anos. Para pesquisadores, a interferência humana no bioma com atividades de pecuária e expansão da fronteira agrícola, além do crescimento das cidades, pode estar ultrapassando os limites do que o Pantanal suporta.

 

No dia 20 de setembro, dezenas de organizações da sociedade civil, incluindo a OAB, e centenas de pessoas físicas assinaram e encaminharam carta-aberta ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo o afastamento e responsabilização civil, penal e administrativa dos responsáveis, por omissão ou ação, pelas queimadas do Pantanal.

Fumaça em Manaus reflete recorde de queimadas no Amazonas e no Pará

No início de setembro, o Amazonas registrou grande aumento de focos de calor

Crédito: Bruno Kelly/Amazônia Real/CC by SA

9 set 20

Fumaça em Manaus reflete recorde de queimadas no Amazonas e no Pará

Na primeira semana de setembro, Manaus, capital do Amazonas, foi coberta por extensa nuvem de fumaça proveniente de queimadas em diferentes pontos da Amazônia. Os índices de focos de incêndios florestais na região vêm batendo recordes históricos desde julho. De acordo com reportagem do Amazônia Real, entre 1º e 8 de setembro de 2020, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou no Amazonas 2.002 focos, um número 170% superior ao mesmo período em 2019, quando o estado teve 742 focos. O Pará teve aumento mais expressivo, com 3.468 focos de queimadas, um aumento de 253%  quando comparado ao ano anterior (983 focos). Os registros do Inpe e outras instituições consultadas detectaram concentração de queimadas nos municípios de Novo Progresso, São Félix do Xingu e Altamira, no Pará, e Lábrea, Apuí e Boca do Acre, no Amazonas.

Em 2020, fogo já consumiu mais de 10% do Pantanal

Bombeiros do Mato Grosso do Sul tentam conter fogo no Pantanal

Crédito: Mayke Toscano/Secom-MT

20 ago 20

Em 2020, fogo já consumiu mais de 10% do Pantanal

De janeiro a agosto de 2020, o fogo já consumiu 17.500 quilômetros quadrados do Pantanal, extensão equivalente a mais de 10% da área da região. De acordo com uma matéria da Deutsche Welle, houve um aumento de 211% dos focos de calor em relação ao mesmo período em 2019, além de representar taxa recorde desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) iniciou o monitoramento das queimadas no Pantanal, em 1998. Iniciado por ação humana em mais de 90% dos casos, segundo indicam as ferramentas de monitoramento, o fogo se alastra facilmente ao encontrar uma mata árida e de fácil combustão, em função da temporada muito seca.

"Dia do Fogo" completa um ano com "legado de impunidade", afirma Greenpeace

Imagem aérea de rebanho em Novo Progresso (PA), foco do “Dia do Fogo” em 2019

Foto: Vinícius Mendonça/Ibama/via CC

10 ago 20

“Dia do Fogo” completa um ano com “legado de impunidade”, afirma Greenpeace

Há um ano, entre 10 e 11 de agosto de 2019, proprietários rurais se mobilizaram para atear fogo em áreas do sul do Pará, no episódio que ficou conhecido como “Dia do Fogo” e gerou mobilizações  por todo o país. Naqueles dias, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou 1.457 focos de calor no estado, um aumento de 1.923% em comparação ao ano anterior (2018). 

 

Após um ano do ataque, a ONG Greenpeace fala em “legado de impunidade”. Segundo investigação feita pela entidade, das 207 propriedades da região que registraram queima em floresta no período, apenas 5% foram autuadas pelas autoridades ambientais. Em 2020, algumas já estão em atividade, ocupadas por gado e produzindo normalmente.

 

Na época, o plano do “Dia do Fogo” foi antecipado pelo jornal local Folha do Progresso, que também pontuou que os produtores se sentiram encorajados pelas palavras de Jair Bolsonaro, declarando anonimamente que as queimadas coordenadas serviriam como demonstração ao presidente de que estão dispostos a trabalhar. Para a Deutsche Welle – Brasil, Adécio Piran, jornalista que noticiou em primeira mão os planos dos ruralistas, disse que vive sob ataques até hoje.

Desde o ocorrido, o desmatamento no Pará segue em curso. Segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a perda de mata nativa na Amazônia cresceu 29% entre agosto de 2019 e julho de 2020, se comparado ao mesmo período no ano anterior. O Pará encabeça o ranking dos estados responsáveis pela destruição. Entre os 10 municípios que mais desmataram, 6 estão no Pará, incluindo Novo Progresso, onde o Dia do Fogo começou.

Desmatamento na Amazônia em junho tem maior índice em 5 anos

Inpe: desmatamento em junho de 2020 foi equivalente a área da cidade de Belém (Pará)

Crédito: Vinícius Mendonça/Ibama/via CC

10 jul 20

Desmatamento na Amazônia em junho tem maior índice em 5 anos

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) coletados pelo sistema Deter apontam que junho de 2020 teve o maior índice de desmatamento dos últimos cinco anos. Segundo o Estado de S. Paulo, o desmatamento de junho de 2020 foi equivalente a área da cidade de Belém (Pará) – um aumento de 10,65%  em relação a junho de 2019. Márcio Astrini, secretário-executivo da rede Observatório do Clima, afirma que o governo tentar passar uma imagem enganosa de que preserva a Amazônia, mas “a realidade dos números revela que o governo Bolsonaro está colaborando na destruição da maior floresta tropical do planeta”. “Sob Bolsonaro, vivemos o pior momento da agenda ambiental de nosso país”, reforçou Astrini.

Mourão: Brasil "começou tarde" o combate ao desmatamento na Amazônia

Vice-presidente Hamilton Mourão critica sistemas de monitoramento do MMA

Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

10 jul 20

Mourão: Brasil “começou tarde” o combate ao desmatamento na Amazônia

Após reunião com executivos de grandes empresas nacionais, Hamilton Mourão, vice-presidente do Brasil, declarou ao jornal O Estado de S. Paulo que as ações tomadas para conter o problema do desmatamento na Amazônia teriam sido tardias.

Como exemplo, citou o Conselho da Amazônia, presidido por ele, anunciado em fevereiro de 2020 pelo presidente Jair Bolsonaro. O órgão foi criticado por ONGs ambientalistas, a exemplo do Greenpeace, que afirmou que “o conselho não tem plano, meta ou orçamento” e não conta com a participação dos governadores da região.

Mourão também afirmou que os sistemas de monitoramento que o Ministério do Meio Ambiente dispõe são “péssimos” e defendeu a utilização de “mecanismos de última geração”, algo que não seria viável pois “todo o dinheiro está indo para o combate à pandemia”, disse. 

 

Porém, os sistemas de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão do Ministério do Meio Ambiente, seguem indicando o aumento do desmatamento. Em maio, dados do Inpe mostraram que os alertas na Amazônia, emitidos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), cresceram quase 64% no mês de abril em relação ao mesmo mês em 2019. A ferramenta é usada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para embasar ações de fiscalização. O Greenpeace afirmou que o governo “ignora” alertas do Deter.

 

O argumento de aperto financeiro em função do combate à pandemia também é frágil já que desde o primeiro dia de atuação do governo de Jair Bolsonaro, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) sofreu sucessivas reduções de orçamento. O orçamento do MMA para 2020, por exemplo, teve corte de 10% em comparação ao de 2019, afetando os setores de prevenção e controle de incêndios florestais. 

 

Ainda, um balanço divulgado em dezembro de 2019 sobre a atuação do MMA apontou que a pasta não utilizou nenhum centavo do orçamento, autorizado pelo governo federal, de R$ 8 milhões do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, destinado a estudos, projetos e empreendimentos para mitigação e à adaptação à mudança do clima.

 

O Ministro Ricardo Salles também participou da reunião para falar sobre créditos de carbono definidos pelo Acordo de Paris.

Alertas de desmatamento na Amazônia crescem 63,75% em comparação a 2019

Madeira ilegal na TI Pirititi (RO)

Crédito: Felipe Werneck/Ibama/CC BY-SA 2.0

8 maio 20

Alertas de desmatamento na Amazônia crescem 63,75% em comparação a 2019

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que os alertas de desmatamento na Amazônia, emitidos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), cresceram 63,75% no mês de abril em relação ao mesmo mês em 2019. A ferramenta é usada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para embasar ações de fiscalização. 

 

Para a ONG Greenpeace, governo “ignora” alertas do Deter e “enfraquece ainda mais a fiscalização ambiental, com a exoneração de profissionais do Ibama”. No início do governo Bolsonaro, em fevereiro de 2019, o Ministério do Meio Ambiente exonerou 21, de um total de 27, inspetores regionais do Ibama. No final de 2019, o número de multas por infração ambiental aplicadas pelo Ibama caiu 34% em relação ao ano anterior, a menor quantidade em 24 anos. 

O aumento nos alertas de desmatamento ocorre mesmo após, em 7 de abril, o presidente Jair Bolsonaro ter publicado decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) autorizando o envio das Forças Armadas para combater focos de incêndio na Amazônia Legal. As missões de GLO ocorrem quando há “o esgotamento das forças tradicionais de segurança pública”, e só podem ser realizadas por ordem expressa do Presidente da República.

Chuvas torrenciais no Sudeste apontam para efeitos da mudança climática

Inpe fala em “alteração do ciclo hidrológico” brasileiro

Crédito: Ranimiro Lotufo Neto/iStock

13 fev 20

Chuvas torrenciais no Sudeste apontam para efeitos da mudança climática

Desde o início de janeiro, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santos e Minas Gerais foram castigados por chuvas torrenciais. Em 9 de fevereiro, choveu o equivalente a 42% do esperado para o mês. Apenas em Minas Gerais, 100 cidades ficaram em estado de alerta, 59 pessoas morreram e 45 mil foram desalojadas.

Segundo Paulo Nobre, coordenador do Modelo Brasileiro de Sistema Terrestre (BESM), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as chuvas não foram episódicas e apontam para efeitos das mudanças climáticas. “No Brasil, a alteração do ciclo hidrológico está acontecendo agora. Não é uma coisa para 2100”, disse, em entrevista concedida à National Geographic Brasil.

Caso nada seja feito, Nobre acredita que as regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste sofrerão redução de chuvas e estiagens mais longas, o que pode aumentar o número de queimadas. “No Sul e no Sudeste, a tendência dos biomas ali representados é que também ocorram secas mais extremas e duradouras, intercaladas por períodos muito chuvosos”, projeta.

“Queimadas são culturais”

Mais uma vez, presidente demonstra desprezo pela proteção do meio ambiente

Crédito: G1/Reprodução

20 nov 19

“Queimadas são culturais”

Durante coletiva de imprensa, o presidente Jair Bolsonaro foi perguntado se havia conversado com o ministro do Meio Ambiente sobre o crescimento do desmatamento na Amazônia em 2019 conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgados dias antes.

 

“Você não vai acabar com o desmatamento nem com queimadas, é cultural. Eu vi a Marina Silva criticando anteontem. No período dela tivemos a maior quantidade de ilícitos na região amazônica”, declarou.

 

Marina Silva foi ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008. Ela respondeu que o presidente não tem qualquer compromisso com a verdade e lembrou que como ministra implementou um plano de prevenção controle do desmatamento que reduziu a taxa de devastação em 80% entre 2004 e 2012.

10 mil quilômetros quadrados de Amazônia perdidos

Crescimento do desmatamento registrado na região é o maior desde 2008

Crédito: Jornal Nacional/Reprodução

18 nov 19
Dia vira noite em São Paulo por conta de queimadas da Amazônia

Registro do céu de São Paulo por volta das 15h no dia 19 de agosto

@CaioBerkley/Twitter/Reprodução

23 ago 19

Dia vira noite em São Paulo por conta de queimadas da Amazônia

O dia virou noite às três da tarde de uma segunda-feira em São Paulo (SP). O céu, escurecido por nuvens de fumaça vindas da Amazônia e vapor poluído cobriram toda região metropolitana. Meteorologistas disseram que o fenômeno era uma mistura de uma frente fria com os incêndios florestais em Rondônia e na Bolívia. O evento ganhou as manchetes de todo o mundo e impulsionou a cobertura midiática dos incêndios que devastaram diversas áreas da Amazônia há semanas.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), 52,5% de todos os focos de incêndio florestal no Brasil estavam concentrados na região amazônica em 2019; o número registrado entre janeiro e agosto representava um aumento de 82% quando comparado ao ano anterior. Ambientalistas e pesquisadores associaram o aumentos dos incêndios com os picos de desmatamento registrados pelo INPE em junho e julho – que foram seguidamente negados pelo governo e ocasionaram a exoneração de Ricardo Galvão, diretor do instituto, em agosto.

As análises do INPE foram corroboradas por dados da NASA, que apontaram a possibilidade de correlação entre os focos de incêndios com a marca do desmatamento na região, afastando a hipótese de estarem relacionados com outras atividades humanas como a preparação de terra para gado e colheita.

Quando perguntado sobre a crise, Jair Bolsonaro escolheu mais uma vez culpar as ONGs. Referindo-se aos cortes no Fundo Amazônia, ele disse: “O crime existe, e isso aí nós temos que fazer o possível para que esse crime não aumente, mas nós tiramos dinheiros de ONGs. Dos repasses de fora, 40% ia para ONGs. Não tem mais. Acabamos também com o repasse de dinheiro público. De forma que esse pessoal está sentindo a falta do dinheiro”.

Ele prosseguiu: “Então, pode estar havendo, sim, pode, não estou afirmando, ação criminosa desses ‘ongueiros’ para chamar a atenção contra a minha pessoa, contra o governo do Brasil. Essa é a guerra que nós enfrentamos”.

Nas redes sociais, o ministro Ricardo Salles disse que o aumento nos incêndios florestais foi causado do clima seco, calor e vento. No dia 21, o Ibama publicou um edital para comprar um novo sistema de monitoramento para a Amazônia. O sistema Planet, dos EUA, é o mais cotado para ser usado. Desde o começo do ano, Salles e Bolsonaro entraram em choque com o sistema do INPE, chamaram os dados de mentirosos e exoneraram o presidente do instituto, Ricardo Galvão. Salles sempre defendeu um sistema privado de monitoramento.

Dia do Fogo é organizado por proprietários rurais

Fogo no município de Novo Progresso (PA) em agosto.

Crédito: Lucas Landau/Greenpeace

14 ago 19

Dia do Fogo é organizado por proprietários rurais

No dia 5 de agosto, um jornal local da cidade de Novo Progresso, no sudeste paraense, revelou um movimento entres fazendeiros e grileiros da região para promover o “Dia do Fogo” em 10 de agosto. De acordo com a publicação, os fazendeiros se sentiram encorajados pelas palavras de Jair Bolsonaro e declararam anonimamente que as queimadas coordenadas serviriam como um demonstração ao presidente de que estão dispostos a trabalhar.

 

Investigações posteriores revelaram que ao menos 250 fazendeiros organizaram a mobilização pelo WhatsApp.

 

O Ministério Público tomou conhecimento das intenções do movimento e solicitou ao Ibama, no dia 8 de agosto, uma presença maciça de inspetores em áreas protegidas da região. O Ibama, no entanto, respondeu à solicitação apenas no dia 12 de agosto, dois dias após o início dos fogos. O Ibama justificou a demora dizendo que ela foi ocasionada por “uma série de ataques sofridos por agentes do Ibama e pela falta de apoio da Polícia Militar do Pará (…) Nossas operações estão suspensas por conta de riscos concretos à segurança das nossas equipes de campo”. 

 

Por muitos anos, o Ibama manteve uma base em Novo Progresso durante a temporada de incêndios. No entanto, em 2019 a operação foi cancelada devido à ausência da polícia e de militares.

O monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) na região detectou uma explosão de incêndios precisamente no dia 10 de agosto, o Dia do Fogo. Focos cresceram 300% nos dias seguintes ao anúncio. Em Altamira, nas cercanias da rodovia BR-163, houve um aumento de 743% nos registros de incêndio após o dia 10 de agosto.

Diretor do INPE é exonerado

Ricardo Galvão já havia sido atacado publicamente em outras ocasiões por Bolsonaro em um tentativa de desqualificar o trabalho do Inpe

Crédito: Ricardo Galvão/Arquivo Pessoal/via G1

1 ago 19

Diretor do INPE é exonerado

Em uma conferência de imprensa, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Ricardo Salles anunciaram um novo sistema para monitorar o desmatamento na Amazônia, afirmando que os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) de junho e julho estavam incorretos. Salles disse que os anúncios de dados de queimadas devem ser feitos com mais responsabilidade e que o governo iria abrir um edital para contratar um sistema de monitoramento de maior resolução. Bolsonaro voltou a atacar o INPE e disse que os números haviam sido manipulados para prejudicar a imagem do Brasil. Ele lamentou o fato do do diretor do instituto ter um mandato e disse que alguém responsável por passar adiante informação dúvida deveria ser responsabilizado. “Se há uma quebra de confiança, no meu ponto de vista, é para pena capital”.

No mesmo dia, o INPE respondeu com uma nota pública dizendo que o instituto trabalha seguindo “princípios de excelência, transparência e honestidade científica” e reafirmou sua confiança na qualidade da informação gerada pelo DETER, o sistema de monitoramento de desmatamento usado pelo instituto. “Os alertas são produzidos usando uma metodologia amplamente publicizada e que tem sido consistentemente aplicada desde 2004. É largamente conhecido que ela contribuiu para reduzir o desmatamento da região amazônica, quando utilizada em conjunto com ações de inspeção”.

No dia após a coletiva de imprensa com as ameaças de Bolsonaro, o ministro de Ciência e Tecnologia, que controla o INPE, decidiu exonerar Ricardo Galvão, o diretor do instituto, na função desde 2016 e que deveria permanecer no posto até 2020.

Bolsonaro ataca INPE

Presidente diz que dados são falsos e prejudicam imagem do Brasil

Crédito: Carolina Antunes/PR/via CC BY 2.0

21 jul 19

Bolsonaro ataca INPE

Após o Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) publicar novos dados mostrando que desmatamento cresceu 68% na Amazônia durante a primeira metade de julho quando comparado ao mesmo período em 2018, Jair Bolsonaro começou a fazer uma série de ataques contra o diretor do INPE, Ricardo Galvão. O presidente disse que os números apresentados pelo instituto não eram verdadeiros e prejudicam a reputaçao do Brasil no cenário internacional. “É lógico que eu vou conversar com o presidente do INPE. [São] Matérias repetidas que apenas ajudam a fazer com que o nome do Brasil seja mal visto lá fora”, afirmou para jornalistas. Ele também sugeriu que Galvão poderia estar à serviço de alguma ONG.

Associações científicas nacionais e internacionais saíram em defesa do trabalho do INPE no monitoramento do desmatamento na Amazônia, garantindo que a metodologia do instituto é robusta e uma referência internacional no monitoramento por satélite em todo o mundo.

O diretor do INPE respondeu às críticas do presidente em entrevistas na imprensa. Ele relatou que o instituto começou a sofrer ataques em janeiro, mas vinham principalmente do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. “A única coisa que o INPE faz é colher dados, nada mais, mas havia insatisfação sobre isso. Isso estava concentrado no MMA e eu não esperava que subisse à presidência da república, mas aparentemente subiu, não sei exatamente pelo esforço de quem”, disse. 

“Pode haver consequências para mim, ser demitido. Mas para o instituto não pode haver. Primeiro porque o orçamento já está estabelecido para este ano; estamos preparando o orçamento para o ano que vem. E a situação ficou tão clara, foi tão incrível a quantidade de apoio, até do exterior, que fica impossível para o governo, na minha opinião, fazer algum tipo de retaliação, o que seria ainda mais contundente contra o governo”, afirmou Galvão.

INPE aponta crescimento do desmatamento

Desmatamento dispara no governo Bolsonaro

Crédito: Domínio público/via CC 1.0

1 jul 19

INPE aponta crescimento do desmatamento

Novos dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) mostram que a Amazônia perdeu 762,3 quilômetros quadrados de florestas em junho, 60% a mais do que no mesmo período no ano anterior. É o pior mês registrado desde 2016. Em junho de 2018, 488 quilômetros quadrados haviam sido desmatados. Os números foram publicados após forte pressão internacional durante a cúpula do G20 no Japão, que também foi marcado pela assinatura do tratado entre União Europeia e Mercosul com cláusulas sobre a questão do meio ambiente. A divulgação aconteceu sob fortes críticas do ministro do Meio Ambiente sobre a credibilidade e qualidade do trabalho do INPE. De acordo com o Observatório do Clima, 99% do desmatamento em 2019 foi ilegal.

Cerrado em chamas

Região do Matopiba, entre os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, considerada ‘vitrine’ do agronegócio brasileiro

Crédito: Ibama/Divulgação/via O Eco

11 jun 19

Cerrado em chamas

O Cerrado brasileiro já perdeu quase metade de sua vegetação nativa e continua a ser ameaçado pela expansão da monocultura e da pecuária extensiva, duas práticas que contam com o apoio expresso do governo de Jair Bolsonaro. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o bioma perdeu 7697 quilômetros quadrados de vegetação no último ano. A destruição do Cerrado acontece num ritmo mais acelerado do que o desmatamento da Amazônia. Nos últimos cinco anos, o Cerrado perdeu 56,3 mil quilômetros quadrados de cobertura nativa, enquanto a Amazônia, com o dobro do tamanho, perdeu 35,8 mil quilômetros quadrados. O principal ponto de desmatamento no Cerrado se dá na região do Matopiba, visto como o último santuário agrícola do país. De acordo com relatório do Greenpeace, 486 mil quilômetros quadrados de Cerrado nativo se tornaram pasto para gado desde 2017.

Desmatamento na Amazônia cresce 34%

Alta preocupa ambientalistas

Crédito: Erick Caldas Xavier/Wikimedia Commons/via CC BY-SA 4.0

5 jun 19

Desmatamento na Amazônia cresce 34%

Foram perdidos 739 quilômetros quadrados de floresta amazônica em maio de acordo com o Observatório do Clima, usando dados do INPE. A cifra representa um crescimento de 34% em relação ao mesmo período em 2018.

Ibama não atende alertas de desmatamento

Agência respondeu menos da metade dos alertas emitidos pelo Inpe até maio.

Crédito: Tarcisio Schnaider/iStock

3 jun 19

Ibama não atende alertas de desmatamento

Uma reportagem especial publicada pelo jornal Folha de S. Paulo revelou os planos do ministro do Meio Ambiente de substituir o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) por uma companhia privada que realizaria o monitoramento em tempo real via satélite do desmatamento na Amazônia. A reportagem também destacou que ao longo dos primeiros cinco meses do governo Bolsonaro, o Ibama aplicou o menor número de multas por alertas de desmatamento do INPE dos últimos quatro anos. Até meados de maio, o INPE transmitiu 3860 alertas de desmatamento para as agências ambientais (em nível federal e estadual), uma média de 28,6 alertas por dia. O Ibama, no entanto, agiu sobre 850 alertas, uma média de 6,2 por dia. O jornal reportou também que, desde que assumiu o cargo, Salles criticou o trabalho de monitoramento do INPE e defendeu a adoção de um sistema de maior resolução – uma empresa privada visitou o ministro duas vezes em 2019.

Ministro questiona Fundo Amazônia e ataca ONGs

Doadores internacionais reprovam mudanças na governança do Fundo

Crédito: Anderson Riedel/PR/via CC BY 2.0

17 maio 19

Ministro questiona Fundo Amazônia e ataca ONGs

Em uma coletiva de imprensa em São Paulo, Ricardo Salles, o ministro do Meio Ambiente, questionou abertamente a eficácia do Fundo Amazônia, um fundo coletivo que congrega doações da Noruega, Alemanha e da Petrobras. Administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o fundo já investiu mais de R$ 1,8 bilhões em projetos que combatem o desmatamento.

Em sua fala, Salles refutou relatórios do Fundo Amazônia que indicavam uma queda de 11% no desmatamento entre 2009 e 2017 a partir de suas ações, dizendo que a relação entre causa e efeito ainda não fora comprovada.

Os relatório do Fundo Amazônia usam dados de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Salles prosseguiu dizendo que um quarto dos contratos do fundo precisam ser “rigorosamente analisados” pelos órgãos de controle (BNDES, Controladoria Geral da União e Tribunal de Contas da União) devido à “evidências de disfuncionalidade”. 

A maior parte dos projetos do Fundo Amazônia envolvem ONGs e entidades da sociedade civil. Ao levantar essas suspeitas, o ministro descartou os apontamentos de uma CPI parlamentar de 2018 que apontou que a gestão do fundo era “satisfatória” e os resultados positivos demonstrados por auditorias independentes realizadas anualmente sobre as atividades do Fundo Amazônia. Salles também gerou controvérsia ao sugerir o uso do dinheiro para compensar proprietários de terras localizadas dentro de unidades de conservação e áreas protegidas.

Algumas horas após a entrevista, a Embaixada da Noruega, a maior doadora do fundo, publicou uma nota declarando estar “satisfeita com as robustas estruturas de governança do fundo” e com os significativos resultados atingidos pelas entidades apoiadas pelo fundo na última década. “Nós não recebemos qualquer proposta das autoridades brasileiras para alterar a estrutura de governança ou os critérios usados pelo fundo para alocar recursos.”

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