Filtro
  • Agro
  • Água & Saneamento
  • Desinformação
  • Exploração & Controle
  • Florestas & Uso do Solo
  • Geopolítica
  • Pesquisa
  • Petróleo
  • Povos Indígenas & Comunidades Tradicionais
  • Sociedade Civil
  • Violência
  • Atores
Exonerado por Bolsonaro, ex-diretor do Inpe recebe prêmio internacional de responsabilidade científica

No ano de sua saída, Ricardo Galvão esteve entre os dez cientistas mais importantes do ano pela revista Nature

Crédito: SEESP/via

8 fev 21

Exonerado por Bolsonaro, ex-diretor do Inpe recebe prêmio internacional de responsabilidade científica

Ricardo Galvão, ex-diretor do Inpe, exonerado por Bolsonaro em 2019 após reagir às críticas do presidente a respeito dos dados do instituto que indicavam aumento do desmatamento, venceu o prêmio internacional Responsabilidade e Liberdade Científica 2021 da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).

A láurea “homenageia cientistas que demonstraram liberdade científica e responsabilidade em circunstâncias particularmente desafiadoras, às vezes em risco para sua segurança profissional ou física”, diz o site da instituição. Segundo Jessica Wyndham, diretora do Programa de Responsabilidade Científica, Direitos Humanos e Direito da AAAS, o físico  “agiu para proteger o bem-estar do povo brasileiro e da imensa maravilha natural que é a floresta amazônica, um patrimônio mundial.”

 

Aeronáutica compra satélite de R$ 175 milhões para a Amazônia sem licitação e com contrato sigiloso

Especialista vê na decisão manobra para deslegitimar dados do Inpe sobre desmatamento

Créditos: Inpe/Reprodução/via G1

31 dez 20

Aeronáutica compra satélite de R$ 175 milhões para a Amazônia sem licitação e com contrato sigiloso

A Aeronáutica brasileira assinou um contrato de US$ 33,8 milhões – cerca de R$ 175 milhões, considerando o câmbio de 30 de dezembro – com uma empresa finlandesa para a compra de uma satélite, sem licitação, cujo contrato foi classificado como “reservado”, conforme justificativa dada à corporação ao pedido de acesso feito jornalista Rubens Valente, do UOL.

Além das irregularidades envolvidas no processo e da eficácia questionável do dispositivo para o monitoramento da floresta, o cientista Gilberto Câmara, diretor do Inpe entre 2005 a 2012, chama a atenção para a possível motivação política da compra. “É uma conversa mal explicada e que só tem, para mim, uma justificativa: os militares querem dizer que também têm a capacidade de medir o desmatamento para eventualmente desconsiderar o dado do Inpe. Para mim é a mesma história, que já vem de algum tempo. O dado do desmatamento incomoda os militares, que querem ter o controle sobre ele. Esse gasto não se justifica, é um absurdo. No país da covid-19 estamos jogando fora R$ 175 milhões quando o governo não tem nem seringa para dar vacina”, declarou ao UOL.

Como pano de fundo da fala de Câmara estão os constantes ataques de militares e outras figuras do governo, incluindo o presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, contra o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais em função dos dados fornecidos pela entidade sobre o desmatamento da Amazônia.

Instituto Nacional de Meteorologia alerta para hipertermia no Brasil; agricultura sofre

Impacto econômico da onda de calor já é sentido em algumas regiões do país

Crédito: Inmet/Reprodução

13 out 20

Instituto Nacional de Meteorologia alerta para hipertermia no Brasil; agricultura sofre

Frente as altas temperaturas registradas no início do mês, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de “grande perigo” até o dia 9 de outubro. Na região Centro-Oeste e no Tocantins, há risco de morte por hipertermia. Ouvido pela CNN, Mamedes Luiz Melo, meteorologista do Inmet, apontou que o cenário pode estar associado a um “conjunto de fatores”, como o longo período sem chuvas e as queimadas recentes que atingiram a Amazônia e o Pantanal. 

O impacto da onda de calor já é sentido na economia. Na cidade de Bastos, maior produtora de ovos de São Paulo, o calor – que chegou a atingir 41ºC ao longo da semana – causou grandes prejuízos aos avicultores da região. Ouvido pelo Globo Rural, Sérgio Kakimoto estima que sua granja tenha perdido entre 40 mil e 45 mil animais e prevê que a perda pode chegar a 70 mil galinhas até o final de semana. Segundo matéria do portal G1, o prejuízo já fez subir quase 10% o preço do ovo nas granjas da cidade.

Em Belo Horizonte, um levantamento feito em 17 estabelecimentos da capital apontou para o aumento do preço de frutas e legumes como consequência do forte calor que afeta a região mineira. Para o jornal Hoje em Dia, Feliciano Abreu, coordenador do site Mercado Mineiro, pontuou que o transporte das mercadorias fica comprometido com as altas temperaturas.

Número de alertas de desmatamento na Amazônia Legal atinge novo pico em setembro

Já é o segundo pico de alertas durante o governo Bolsonaro em um mês de setembro.

Credit: Christian Braga/Greenpeace

9 out 20

Número de alertas de desmatamento na Amazônia Legal atinge novo pico em setembro

Segundo dados do Instituto de Estudos Espaciais (Inpe), os dois maiores picos de alertas de desmatamento na Amazônia Legal no mês de setembro ocorreram durante o governo de Jair Bolsonaro: o primeiro, em 2019, com alertas em uma área de 1.454 km², e, agora, em 2020, de 964 km². Os dados são comparativos a 2015, ano em que o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Inpe começou a emitir os alertas. Conforme noticiado pelo El País, até 2018, a média mensal de alertas de do sistema Dete/Inper era de 576 km². A partir de 2019, subiu para 1.189 km². 

Como resposta à alta do desmatamento na região amazônia em 2020, o governo, por meio do Ministério da Defesa, implementou em maio Operação Verde Brasil 2, de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), sob  comando do vice-presidente Hamilton Mourão, “para combater e reprimir delitos ambientais” na Amazônia Legal. Os números do desmatamento continuaram crescendo mesmo com a alocação de um orçamento R$ 418,6 milhões para os seis meses de atuação da Verde Brasil 2, que deve se encerrar em novembro.

Em 5 de outubro, a revista piauí denunciou o uso de orçamento da Operação Verde Brasil 2 para a reforma de quartéis e unidades das Forças Armadas dentro e fora da Amazônia Legal. Um deles foi o 47º Batalhão de Infantaria, que deslocou militares de Coxim (MS) para atuar na operação na cidade de Juara (MT). Segundo a publicação, o orçamento da Verde Brasil 2 “já bancou a reforma dos telhados, a pintura das paredes e troca de revestimentos, pisos, portas e esquadrias” do 47º Batalhão. Só de portas e esquadrias, foram 545 mil reais. Outro exemplo é o  44º Batalhão de Infantaria Motorizado, em Cuiabá (MT), cujas despesas de reformas feitas no quartel passaram de 1,2 milhão de reais.

Sob pressão de investidores, JBS tenta se desvincular de desmatamento

Fazenda São José, no Pará, fornecedora de gado para JBS, que teve focos de calor no “Dia do Fogo”, em 2019

Crédito: Christian Braga/Greenpeace

23 set 20

Sob pressão de investidores, JBS tenta se desvincular de desmatamento

O aumento recorde nas queimadas e índices de desmatamento está contribuindo para diminuir a atratividade do Brasil para investidores estrangeiros. Segundo o jornal O Globo, nos primeiros oito meses de 2020, mas de US$ 15 bilhões deixaram o país, maior volume desde 1982. Analistas e gestores acreditam que a crise ambiental pode agravar esse quadro. Em audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre mudanças climáticas no dia 22, o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, falou sobre a piora da imagem do Brasil no exterior: “O desmatamento e outros crimes ambientais, além de agravarem o problema global, trazem enorme risco para o ecossistema do agronegócio, nosso setor mais bem sucedido, e também para a oferta de energia no nosso país”. 

 

Sentindo a pressão, no dia 23, a JBS, maior produtora de proteína animal do mundo, lançou um plano para “aumentar o cerco sobre a cadeia de fornecedores de bovinos, trazendo para dentro da porteira de monitoramento o elo que faltava para assegurar que a carne que chega ao consumidor não contribui para a derrubada da Amazônia: os fornecedores de seus fornecedores”. A chamada “Plataforma Verde JBS” pretende usar tecnologia blockchain para processar dados de todas as fazendas, sejam de propriedade de fornecedores diretos ou indiretos para verificar conformidade com a legislação socioambiental. A JBS (dona das marcas Friboi e Seara) também anunciou a criação de um fundo com valor inicial de R$ 250 milhões para financiar ações de conservação e desenvolvimento econômico na região. 

 

A “Plataforma Verde” da JBS prevê controle total dos fornecedores diretos e indiretos de bovinos apenas em 2025. Ambientalistas reconheceram a importância do plano mas criticaram o prazo de cinco anos para limpar a cadeia produtiva e questionaram a capacidade da empresa executar tais medidas sem apoio do governo. 

 

O fundos de investimento nórdicos Nordea Asset e KLP, que já baniram a JBS de suas carteiras, também consideram que a proposta apresentada pela empresa tem prazo “dilatado demais para para ser satisfatória”. Com R$ 3,4 trilhões de ativos em carteira, a finlandesa Nordea Asset baniu a JBS do seu portfólio em julho, depois que uma investigação conjunta da imprensa revelou que o frigorífico adquiriu gado criado em área de desmatamento na Amazônia. 

 

Os problemas na cadeia produtiva da JBS foram reafirmados em investigação da ONG Repórter Brasil divulgada na véspera do anúncio da gigante do agro. Parte do fogo que devastou o Pantanal mato-grossense teve origem em fazendas de pecuaristas que vendem gado para os grupos Amaggi e Bom Futuro, que por sua vez fornecem não apenas para a JBS mas também outras multinacionais como Marfrig e Minerva. O levantamento se baseou em estudo da ONG Instituto Centro e Vida, que identificou a origem das queimadas em cinco propriedades do Mato Grosso, analisando focos de incêndio entre 01 de julho e 17 de agosto de 2020.

Grandes fazendas concentram focos de queimadas e desmatamento na Amazônia e no Pantanal

Impacto das queimadas na região do Pantanal em setembro/2020

Crédito: Leandro Cagiano/Greenpeace

23 set 20

Grandes fazendas concentram focos de queimadas e desmatamento na Amazônia e no Pantanal

Um relatório do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam) com base em plataforma da Nasa e divulgado no início de agosto já dava a pista: na Amazônia, 71% das queimadas em imóveis rurais entre janeiro e junho de 2020 ocorreram para manejo agropecuário (ou seja, em áreas previamente desmatadas); 24% foram incêndios florestais em áreas de vegetação nativa, que geralmente são provocados a partir das queimas para manejo. Metade dos focos de calor foi detectada em propriedades rurais de médio e grande porte. 

Números semelhantes aparecem na análise do projeto Cortina de Fumaça, lançado no dia 23 de setembro pela Ambiental Media em parceria com o Pulitzer Center. Segundo a pesquisa, propriedades rurais de médio e grande porte responderam por 72% dos focos de calor ocorridos em 2019 nas quatro principais áreas críticas da fronteira do desmatamento na Amazônia. Altamira (PA), São Félix do Xingu (PA), Porto Velho (RO) e Lábrea (AM) concentraram 17.5% do desmatamento entre agosto de 2018 e julho de 2019 na região. As cidades também encabeçam a lista do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) dos municípios com mais queimadas no último ano. Para obter os resultados, o projeto Cortina de Fumaça cruzou dados oficiais públicos de desmatamento e queimadas do Inpe com a base do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que reúne informações e declarações de propriedade sobre os imóveis rurais. 

No Pantanal, um levantamento das ONGs Repórter Brasil e Instituto Centro e Vida (ICV) mostrou que focos de incêndios iniciados em nove fazendas do bioma destruíram mais de 141 mil hectares de vegetação. Quatro destas fazendas foram identificadas na Operação Matàà, investigação conduzida pela Polícia Federal no Mato Grosso do Sul. As outras cinco grandes propriedades se localizam no Mato Grosso. O levantamento feito pelas ONGs cruzou dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) com imagens de satélite do Inpe e da NASA.

Governo declara guerra ao Inpe por monitorar desmatamento

Vice-presidente volta a atacar monitoramento do Inpe

Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

20 set 20

Governo declara guerra ao Inpe por monitorar desmatamento

O vice-presidente Hamilton Mourão acusou funcionários do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) de fazer oposição ao governo federal. Segundo Mourão, em declaração dada no dia 15 de setembro, dados positivos sobre a redução de queimadas não seriam divulgados pelo instituto, órgão federal responsável por monitorar o desmatamento no país. “Alguém ali de dentro faz oposição ao governo. Eu estou deixando muito claro isso aqui”, disse. Para o militar, dados oficiais mostram que, até o final de agosto, o país registrou 5 mil focos de incêndio a menos que no mesmo período do ano passado. Porém, informações do Inpe para os primeiros 14 dias de setembro contrariam o discurso do vice, mostrando que houve mais queimadas na Amazônia no período (20.485 focos) do que em todo mês de setembro de 2019 (19.925 focos). 

 

Segundo especialistas na área de monitoramento florestal, o sistema implantado pelo Inpe no Brasil é único no mundo, permitindo acompanhamento em tempo real, transparência dos dados e participação da sociedade civil. 

 

Além dos ataques vindos da presidência, em um processo no Tribunal de Contas da União (TCU) o sobre a compra de imagens de satélite, a Polícia Federal, declarou, em ofício, que o Inpe provoca desinformação contra novas iniciativas de monitoramento para não perder a hegemonia da narrativa e do conhecimento do desmatamento no Brasil. A PF ainda acusou o trabalho do Inpe de ser insuficiente e de não atender a segurança pública. No dia 19, a ministra Ana Arraes, do TCU, suspendeu o contrato da PF com a empresa de satélites Planet, alegando que o sistema não agrega vantagens em relação à tecnologia já usada pelo Inpe. O acordo da PF com a Planet custou R$ 49 milhões e foi bancado pelo Ministério da Justiça.

Três dias depois, o Ministério do Clima e Meio Ambiente da Noruega anunciou a assinatura de um contrato internacional com a Kongsberg Satellite Services que, juntamente com as empresas Planet (a mesma da Polícia Federal) e Airbus fornecerá acesso universal e gratuito ao monitoramento por satélite das florestas tropicais no mundo, incluindo o Brasil. Segundo o governo norueguês, a Planet fornecerá mapas de alta resolução e dados atualizados mensalmente, de forma gratuita para visualização e download, conforme informe do portal O Eco

Fumaça de queimadas no Pantanal, Cerrado e Amazônia chega aos céus do Sul e Sudeste

Focos de calor em área monitorada pelo sistema Deter/Inpe, em Novo Progresso (PA), agosto/2020

Crédito: Christian Braga/Greenpeace

20 set 20

Fumaça de queimadas no Pantanal, Cerrado e Amazônia chega aos céus do Sul e Sudeste

No final do inverno na região sub-equatorial do Brasil a fumaça de incêndios florestais no Pantanal, Cerrado e Amazônia chegou às regiões Sul e Sudeste. No dia 14 de setembro, moradores coletaram água escura durante chuvas que atingiram o município de São Francisco de Assis, no interior do Rio Grande do Sul. Especialistas ouvidos pela imprensa afirmaram que o fenômeno pode ser resultado das queimadas que atingem o Pantanal. Também houve ocorrência de chuva escura em Santa Catarina.

 

Em 18 de setembro, imagens de satélite do Inpe mostraram que nuvens de fumaça e fuligem provocadas pelas queimadas no centro-oeste chegaram ao estado de São Paulo.  No mesmo dia, o avião que levava o presidente Jair Bolsonaro e comitiva de autoridades teve que arremeter ao tentar pousar em Sinop (MT) por falta de visibilidade provocada pelas queimadas na região. A administradora do aeroporto afirmou que havia fumaça no momento do pouso. Em discurso a representantes do agronegócio do Mato Grosso logo após o ocorrido, o presidente mais uma vez reclamou das críticas à política ambiental brasileira e insinuou interesses econômicos contra o país. 

No dia 19 de setembro, imagens de satélite divulgadas pelo Inpe mostraram que a fumaça das queimadas na Amazônia, Cerrado e Pantanal se estendeu por mais de 4 mil quilômetros, atingindo pelos menos cinco países vizinhos – Peru, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai.

Governo hostiliza campanhas ambientalistas e ameaça APIB

Justiça de Santarém (PA) acatou pedido do MPF

Crédito: Rogério Assis/ Greenpeace/Defund Bolsonaro/Divulgação

18 set 20

Governo hostiliza campanhas ambientalistas e ameaça APIB

Fake news, desinformação e acusações de crime de lesa-pátria: foi assim que membros do governo Bolsonaro reagiram à campanhas e denúncias da sociedade civil sobre o desmatamento e os incêndios florestais na Amazônia, Cerrado e Pantanal. O tom da reação mais uma vez foi dado pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, que em sua live semanal no dia 03 de setembro, quando comparou as ONGs que atuam em defesa da Amazônia a um “câncer”. 

O presidente fazia referência à campanha lançada por ativistas brasileiros no final de agosto com o mote “Defund Bolsonaro” e que gerou revolta entre apoiadores do governo. O vídeo da campanha, em inglês, diz que Bolsonaro permite a destruição da Amazônia com o apoio de grandes empresas e termina com a pergunta “De que lado você está? Da Amazônia ou de Bolsonaro?”. Entidades da sociedade civil como Observatório do Clima e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) ajudaram a divulgar o material. Um movimento para derrubar o perfil da iniciativa no Instagram foi organizado, de acordo com reportagem do Jornal O Globo, que apurou que mensagens com instruções para denunciar a campanha circularam por grupos bolsonaristas no WhatsApp no dia 06 de setembro. 

No dia 09, o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o vice-presidente Hamilton Mourão e o deputado federal Eduardo Bolsonaro compartilharam um “vídeo-resposta” que afirmava que a Amazônia não estava queimando, omitia dados do Inpe e usava imagens do mico-leão-dourado, espécie que vive apenas na Mata Atlântica. O vídeo tinha narração e inglês e foi assinado pela entidade ruralista Associação de Criadores do Pará. Parte das imagens que aparecem no vídeo ruralista era do acervo do Greenpeace e foi usada sem autorização. A ONG solicitou a retirada do vídeo do ar por infringir direitos autorais e a peça acabou sendo retirada do Twitter.

Enquanto membros do governo respondiam com desinformação, o ator Leonardo DiCaprio retuitava o vídeo original da campanha Defund Bolsonaro em seu perfil no twitter, gerando nova onda de reações. O discurso negacionista do governo foi rebatido por ONGs e especialistas com dados do Inpe que apontaram que o número de focos de calor na Amazônia entre 01 de janeiro e 09 de setembro de 2020 é o maior dos últimos dez anos, com crescimento de 6% em relação a 2019. 

No dia 13 de setembro, voltaram a circular nas redes sociais postagens falsas acusando ONGs de serem as responsáveis pelas queimadas na Amazônia. As postagens usavam foto de 2014 de indígenas prendendo madeireiros ilegais como se a imagem fosse atual e os detidos fossem membros de ONGs. Várias agências de checagem de fatos apontaram as postagens como fake news. Esse tipo de acusação já foi usada outras vezes pelo presidente.

Na semana seguinte, foi a vez do general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República atacar a Apib pelo apoio à campanha Defund Bolsonaro. Em um post publicado em seus perfis nas redes sociais, Heleno acusou a Apib de ser a organização por trás do site da campanha, cujos objetivos seriam “publicar fake news contra o Brasil, imputar crimes ambientais ao presidente da República e apoiar boicote mundial contra produtos brasileiros”.  O general ainda afirmou que Sônia Bone Guajajara, coordenadora da Apib, é ligada à Leonardo DiCaprio, “um crítico ferrenho do país” e finalizou dizendo que “o site da Apib se associa a diversos outros que trabalham 24h por dia para manchar nossa imagem no exterior em um crime de lesa-pátria”. 

Em nota, a Apib rechaçou a declaração do general, afirmando que “o maior crime que lesa nossa pátria é a omissão do governo diante da destruição de nossos biomas, das áreas protegidas, das queimadas ilegais, da grilagem, do desmatamento e da invasão de nossas terras e roubo de nossas riquezas. Às vésperas da Assembléia Geral da ONU, o mundo todo está testemunhando esse crime – grande demais para ser ocultado (…).  As acusações, além de levianas e mentirosas, são irresponsáveis pois colocam em risco a segurança pessoal dos citados. A Apib estudará as medidas cabíveis”.

Fumaça em Manaus reflete recorde de queimadas no Amazonas e no Pará

No início de setembro, o Amazonas registrou grande aumento de focos de calor

Crédito: Bruno Kelly/Amazônia Real/CC by SA

9 set 20

Fumaça em Manaus reflete recorde de queimadas no Amazonas e no Pará

Na primeira semana de setembro, Manaus, capital do Amazonas, foi coberta por extensa nuvem de fumaça proveniente de queimadas em diferentes pontos da Amazônia. Os índices de focos de incêndios florestais na região vêm batendo recordes históricos desde julho. De acordo com reportagem do Amazônia Real, entre 1º e 8 de setembro de 2020, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou no Amazonas 2.002 focos, um número 170% superior ao mesmo período em 2019, quando o estado teve 742 focos. O Pará teve aumento mais expressivo, com 3.468 focos de queimadas, um aumento de 253%  quando comparado ao ano anterior (983 focos). Os registros do Inpe e outras instituições consultadas detectaram concentração de queimadas nos municípios de Novo Progresso, São Félix do Xingu e Altamira, no Pará, e Lábrea, Apuí e Boca do Acre, no Amazonas.

Pantanal tem primeiro semestre com aumento histórico de queimadas

Pantanal registrou aumento de 530% nas queimadas em relação a 2019

Crédito: Mayke Toscano/Secom-MT/via Fotos Públicas

23 jul 20

Pantanal tem primeiro semestre com aumento histórico de queimadas

Entre janeiro e junho de 2020, o Pantanal registrou um aumento de 530% nos registros de queimadas em relação ao mesmo período em 2019. Os dados são de uma ferramenta interativa do Instituto Centro de Vida (ICV) para o monitoramento dos focos de calor no Mato Grosso (MT) durante o período de proibição de queimadas decretado anualmente pelo estado. A proibição estadual, decretada no dia 15 de julho nos anos anteriores, foi adiantada para 1º de julho e se estende até 30 de setembro de 2020. Os dados, abertos para consulta no portal do ICV, também apontam que, mesmo com a antecipação da proibição de queimadas, houve aumento de 12% no número de focos de calor no mês de julho em relação ao período no ano passado.

Em 16 de julho, um decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles proibiu o uso de fogo no Pantanal e na Amazônia por 120 dias. A medida tardia para conter a degradação dos biomas, que vem crescendo desde do início do governo Bolsonaro, prevê exceções, incluindo “queimas controladas em áreas não localizadas na Amazônia Legal e no Pantanal, quando imprescindíveis à realização de práticas agrícolas”.

Ministério da Agricultura planeja regularizar à distância propriedades na Amazônia

The regularization of the land will rely on satellite imagery to define property limits

Credits: Aqua /Nasa/via Fotos Públicas

15 jul 20

Ministério da Agricultura planeja regularizar à distância propriedades na Amazônia

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, confirmou que a pasta iniciará um processo de regularização fundiária na Amazônia baseada em sistemas de “sensoriamento remoto”, com com apoio de imagem de satélites, segundo matéria d’O Estado de São Paulo. “Já tem gente trabalhando em várias regiões dos nove estados da Amazônia, mas concentrados inicialmente em três estados“, afirmou ao jornal.

Serão contempladas ocupações, atualmente em situação irregular, de até quatro módulos –  unidade de medida, em hectares, cujo valor é fixado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). No Brasil, o valor do módulo varia de 5 a 110 hectares. Ao todo, 93 mil propriedades serão avaliadas, com tamanho de em média 280 hectares.

Ainda segundo o Estadão, tendo em vista o argumento do governo de que é difícil punir ocupações irregulares de terra pela dificuldade de identificar os proprietários, a medida é vista como uma “resposta” do vice presidente Hamilton Mourão, atualmente na presidência do Conselho Amazônia, para conter o aumento significativo do desmatamento na região desde o início do governo.

Desmatamento na Amazônia em junho tem maior índice em 5 anos

Inpe: desmatamento em junho de 2020 foi equivalente a área da cidade de Belém (Pará)

Crédito: Vinícius Mendonça/Ibama/via CC

10 jul 20

Desmatamento na Amazônia em junho tem maior índice em 5 anos

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) coletados pelo sistema Deter apontam que junho de 2020 teve o maior índice de desmatamento dos últimos cinco anos. Segundo o Estado de S. Paulo, o desmatamento de junho de 2020 foi equivalente a área da cidade de Belém (Pará) – um aumento de 10,65%  em relação a junho de 2019. Márcio Astrini, secretário-executivo da rede Observatório do Clima, afirma que o governo tentar passar uma imagem enganosa de que preserva a Amazônia, mas “a realidade dos números revela que o governo Bolsonaro está colaborando na destruição da maior floresta tropical do planeta”. “Sob Bolsonaro, vivemos o pior momento da agenda ambiental de nosso país”, reforçou Astrini.

Mourão: Brasil "começou tarde" o combate ao desmatamento na Amazônia

Vice-presidente Hamilton Mourão critica sistemas de monitoramento do MMA

Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

10 jul 20

Mourão: Brasil “começou tarde” o combate ao desmatamento na Amazônia

Após reunião com executivos de grandes empresas nacionais, Hamilton Mourão, vice-presidente do Brasil, declarou ao jornal O Estado de S. Paulo que as ações tomadas para conter o problema do desmatamento na Amazônia teriam sido tardias.

Como exemplo, citou o Conselho da Amazônia, presidido por ele, anunciado em fevereiro de 2020 pelo presidente Jair Bolsonaro. O órgão foi criticado por ONGs ambientalistas, a exemplo do Greenpeace, que afirmou que “o conselho não tem plano, meta ou orçamento” e não conta com a participação dos governadores da região.

Mourão também afirmou que os sistemas de monitoramento que o Ministério do Meio Ambiente dispõe são “péssimos” e defendeu a utilização de “mecanismos de última geração”, algo que não seria viável pois “todo o dinheiro está indo para o combate à pandemia”, disse. 

 

Porém, os sistemas de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão do Ministério do Meio Ambiente, seguem indicando o aumento do desmatamento. Em maio, dados do Inpe mostraram que os alertas na Amazônia, emitidos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), cresceram quase 64% no mês de abril em relação ao mesmo mês em 2019. A ferramenta é usada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para embasar ações de fiscalização. O Greenpeace afirmou que o governo “ignora” alertas do Deter.

 

O argumento de aperto financeiro em função do combate à pandemia também é frágil já que desde o primeiro dia de atuação do governo de Jair Bolsonaro, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) sofreu sucessivas reduções de orçamento. O orçamento do MMA para 2020, por exemplo, teve corte de 10% em comparação ao de 2019, afetando os setores de prevenção e controle de incêndios florestais. 

 

Ainda, um balanço divulgado em dezembro de 2019 sobre a atuação do MMA apontou que a pasta não utilizou nenhum centavo do orçamento, autorizado pelo governo federal, de R$ 8 milhões do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, destinado a estudos, projetos e empreendimentos para mitigação e à adaptação à mudança do clima.

 

O Ministro Ricardo Salles também participou da reunião para falar sobre créditos de carbono definidos pelo Acordo de Paris.

Alertas de desmatamento na Amazônia crescem 63,75% em comparação a 2019

Madeira ilegal na TI Pirititi (RO)

Crédito: Felipe Werneck/Ibama/CC BY-SA 2.0

8 maio 20

Alertas de desmatamento na Amazônia crescem 63,75% em comparação a 2019

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que os alertas de desmatamento na Amazônia, emitidos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), cresceram 63,75% no mês de abril em relação ao mesmo mês em 2019. A ferramenta é usada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para embasar ações de fiscalização. 

 

Para a ONG Greenpeace, governo “ignora” alertas do Deter e “enfraquece ainda mais a fiscalização ambiental, com a exoneração de profissionais do Ibama”. No início do governo Bolsonaro, em fevereiro de 2019, o Ministério do Meio Ambiente exonerou 21, de um total de 27, inspetores regionais do Ibama. No final de 2019, o número de multas por infração ambiental aplicadas pelo Ibama caiu 34% em relação ao ano anterior, a menor quantidade em 24 anos. 

O aumento nos alertas de desmatamento ocorre mesmo após, em 7 de abril, o presidente Jair Bolsonaro ter publicado decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) autorizando o envio das Forças Armadas para combater focos de incêndio na Amazônia Legal. As missões de GLO ocorrem quando há “o esgotamento das forças tradicionais de segurança pública”, e só podem ser realizadas por ordem expressa do Presidente da República.

Imazon aponta aumento de 74% do desmatamento na Amazônia Legal

Degradação ambiental na região cresceu 1382%

Crédito: Shubham Singh/iStock

14 fev 20
Desmatamento cresce no Xingu

Imagem de satélite da região sul da bacia do Xingu (MT), em junho

Crédito:

2 ago 19

Desmatamento cresce no Xingu

O desmatamento em unidades de conservação na bacia do rio Xingu, na região amazônica dos estados do Pará e do Mato Grosso, cresceu 44,7% em maio e junho de 2019, em comparação com o mesmo período em 2018. O número confirma a tendência de alta no desmatamento na Amazônia e a crescente pressão em um dos principais corredores ecológicos do bioma. Os dados foram publicados no boletim bimestral organizado pela Rede Xingu+, que reúne 24 organizações indígenas e ambientais locais. Os boletins condensam data de imagens de satélite e radares que detectam desmatamento até mesmo durante a temporada de chuvas.

17 notícias na linha do tempo

Olá :)

Sinal de Fumaça é uma linha do tempo sobre a crise socioambiental brasileira.

Toda segunda-feira, atualizamos as notícias na linha do tempo.

Agradecemos a visita.
Volte sempre e acompanhe nosso monitoramento semanal.

Filtro
Filtros

Escolha datas, palavras-chave e personagens para montar sua linha do tempo

Assine a newsletter

Faça seu cadastro e receba nossos conteúdos especiais por email.

Link copiado com sucesso!